Criação de renas tem lucro certo no fim do ano

A cada dois anos os empresários compram mais duas ou três renas para a fazenda Foto: sevolen.ru

A cada dois anos os empresários compram mais duas ou três renas para a fazenda Foto: sevolen.ru

Casal adquiriu treze animais que cria nos arredores de Moscou desde 2003 e fatura em comerciais, eventos, excursões etc.

O casal Aleksandr Bondartchuk e Svetlana Goriátcheva vem enchendo os olhos de muitas crianças e adultos nos arredores de Moscou: em sua fazenda "Contos de Fada do Norte", que conta com excursões regulares, criam renas de verdade que puxam um trenó com Papai Noel.

Tudo começou em 2003, quando Aleksandr, ainda trabalhando como caminhoneiro, viu um rebanho de renas indo para o abate na Península de Kola, no norte do país. 

Com o coração tocado, ele adquiriu um casal de renas e levou para sua casa, a cerca de 60 quilômetros de Moscou.

De lá para cá, o casal investiu US$ 365 mil na propriedade, aprendeu a domar e criar os animais, e fez até um "estágio" na casa de um amigo que cria renas em Murmansk, região mais setentrional da Rússia europeia.

Lá, eles aprenderam a montar e a conduzir os trenós de renas.

Família crescente

Em 2005, Bondartchuk trouxe da tundra russa mais duas renas. Hoje, a fazenda tem 13 animais. Todos os dias eles recebem três ou quatro grupos com 25 ou 40 visitantes.

Em traje tradicional do norte, um guia recebe os visitantes e os leva para passear em um trenó puxado por cinco renas, enquanto conta sobre a vida dos animais, o que comem, seu habitat e hábitos. Os visitantes alimentam as renas e aprendem a colocar arreios nelas.

No verão, também se podem visitar as renas. Sem neve, porém, não é possível andar de trenó.

Então, segundo Goriatcheva as excursões não são tão frequentes como na véspera do Ano-Novo.

De março a novembro, o movimento é pequeno. Nessa época, o casal dá férias aos guias e assume seu trabalho.

O ingresso na fazenda (sem excursão) custa 100 rublos (cerca de US$ 2).

Visitantes podem colocar arreio e alimentar renas, além de fazer passeios de trenó. Foto: sevolen.ru

A cada dois anos o casal adquire mais duas ou três renas para a fazenda. Na tundra, elas custam a partir de 30 mil rublos (cerca de US$ 450) cada.

O transporte dos animais até Moscou, porém, sai quase o triplo desse valor. Cada vez que compra um animal, Bondartchuk precisa obter uma permissão do Rosselkhoznadzor (Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária).

De acordo com o porta-voz do Rosselkhoznadzor, Aleksêi Alekseenko, cada rena recebe um pacote de documentos veterinários de acompanhamento que comprovam que o animal não carrega nenhuma doença perigosa para os humanos.

Além disso, as renas precisam de um passaporte veterinário com indicação de sexo, idade, raça, sinais especiais, bem como de doenças anteriores e vacinação preventiva.

As renas precisam passar por uma inspeção do serviço veterinário todos os anos.

Desenvolvendo planos comerciais 

A fazenda começou a fechar acordos com diversas empresas de turismo a partir de 2005.

“A demanda por passeios em fazendas de renas é grande. Todo inverno enviamos para lá de 1.000 a 1.500 pessoas”, diz diretor da agência de viagens Loja de Viagens, Vladímir Lutov.

As agências e os operadores de turismo de Moscou fecham os grupos ainda no verão.

Para conseguir uma excursão na véspera de Ano Novo ou nas férias de janeiro, o passeio tem que ser reservado, no máximo, até setembro.

Além das visitas de turistas, o casal de empreendedores fatura também com o aluguel das renas.

Os animais saem da fazenda todo final de ano para puxar o Papai Noel russo, Ded Moroz, e sua ajudante, Snegúrotchka, em trenós de cinco a seis festas de Natal todo final de ano.

Mas Aleksandr e Svetlana apostam mais no turismo, já que os animais não aguentam muito as viagens.

Os inevitáveis ​​atrasos causados pelos congestionamentos  em Moscou também acabam acarretando em multas do casal aos organizadores dos eventos.

Na telinha

As renas de Bondartchuk já foram parar até na frente das câmeras, estrelando mais de cinco comerciais. 

Os empreendedores também faturam algum lucro com a venda de suvenires na fazenda: artefatos de chifre de rena 

Os artesanatos de chifre de rena, madeira e peles são comprados pelos donos da fazenda dos habitantes locais da península de Kola quando viajam para buscar novos animais.

Apesar de sua versatilidade para fazer dinheiro, as renas têm uma manutenção cara.

A aveia forrageira, as verduras e o feno consumidos custam cerca de 1,5 mil dólares por mês, além de 800 dólares em despesas fixas de água, gás, eletricidade etc.

Além disso, o custo dos guias turísticos e funcionários da fazenda é de quase 3 mil dólares por mês.

Publicado originalmente pelo jornal RBC Daily

 

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