Maioria dos moscovitas apoiam greve de caminhoneiros

Rodovia a 35 quilômetros ao sul de Moscou é palco de greve de um dos grupos de caminhoneiros

Rodovia a 35 quilômetros ao sul de Moscou é palco de greve de um dos grupos de caminhoneiros

AP
Pesquisa revela apoio maciço de moradores de Moscou ao protesto de caminhoneiros contra novo imposto. Sistema recém-implantado ameaça negócios de transportadoras menores e autônomos.

Mais de 70% dos moradores de Moscou cientes dos protestos realizados por motoristas de caminhão apoiam tais ações, segundo uma pesquisa divulgada nesta semana pelo instituto de pesquisa independente Centro Levada.

Embora a maioria dos moscovitas estejam familiarizados com a manifestação, 21% dos moradores da capital disseram não ter ouvido nada sobre o protesto, e outros 2% hesitaram em responder, indicou o relatório do Levada.

“Mas entre aqueles que disseram saber sobre o protesto, 71% expressaram forte ou moderado apoio a iniciativa”, diz um dos autores do protesto.

Os caminhoneiros estão protestando há mais de um mês contra um novo sistema fiscal, chamado Platon, que estabelece impostos adicionais a caminhões pesados em circulação nas rodovias federais. O sistema irá corroer seus lucros, alegam os manifestantes.

A pesquisa do Centro Levada foi realizada no início de dezembro com uma amostra representativa de mil pessoas. A margem de erro é estimada em 4,8 pontos percentuais.

5 questões para entender a greve

1. Por que implantar o Platon?  

De acordo com as estatísticas da Rosavtodor (agência rodoviária federal), até 58% dos danos em estradas do país são causados por caminhões pesados (com mais de 12 toneladas). O governo decidiu compensar esse prejuízo com um imposto sobre as empresas e caminheiros autônomos que utilizam tais veículos. O dinheiro arrecadado pelo Platon será usado na manutenção de estradas e projetos de infraestrutura.

2. Quais os problemas do sistema?

Nos primeiros dias depois de o Platon ser lançado, houve inúmeras falhas no sistema: sobrecarga de usuários e repetidas quedas. Mas o problema não se limitou a questões técnicas: muitos caminhoneiros se opunham à simples ideia de um novo imposto sobre o seu negócio.

3. O que dizem as autoridades?

As autoridades não mostraram prontidão para cancelar ou suspender o sistema Platon. Em entrevista ao jornal “RBK”, o chefe da Rosavtodor, Roman Starovoit, insistiu que a maioria absoluta dos caminhoneiros não teria se oposto ao novo imposto e que o protesto envolve não mais do que 1% de todos os caminhoneiros. Segundo Starovoit, mais de dois terços dos caminhões com 12 toneladas já estão registrados no sistema.

4. O que os manifestantes exigem?

Os mais afetados pelo sistema Platon são microempresas e caminhoneiros autônomos. Se para as grandes empresas a introdução de um novo imposto é inconveniente, mas longe de ser uma questão crítica, para muitos pequenos transportadores o negócio se tornaria inviável. Eles exigem que Platon seja completamente descartado ou, pelo menos, sua aplicação gradual.

5. O que acontecerá daqui para frente?

O analista político Aleksêi Makarkin, vice-presidente do Centro de Tecnologias Políticas, acredita que as autoridades conseguirão suprimir o protesto dividindo os caminhoneiros. “O Estado decidiu apostar na divisão dos motoristas entre moderados e radicais, com a maioria pertencendo ao primeiro grupo, representando as grandes empresas”, disse Makarkin à Gazeta Russa. “Paralelamente, as autoridades vêm fazendo concessões parciais, como a suspensão temporária de pedágios e o corte de penalidades, para, assim, minar o protesto por dentro.”

Andrei, a long haul truck driver who supports the protest movement, sits in his truck at a truck parking stop, about 35 kilometers (22 miles) south of Moscow, Russia, Thursday, Dec. 3, 2015. Russian truck drivers are gearing up for a mass demonstration in Moscow to demand that the government cancel a new road tax. FotoRodovia a 35 quilômetros ao sul de Moscou é palco de greve de um dos grupos de caminhoneiros Foto: AP

Com material do jornal The Moscow Times

 

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