Casos de discriminação revelam dificuldades de deficientes no país

Em agosto, Vodiánova (dir.) denunciou episódio de discriminação contra irmã autista

Em agosto, Vodiánova (dir.) denunciou episódio de discriminação contra irmã autista

Arquivo pessoal
Em caso recente, pais de alunos pediram que foto de garota fosse excluída de álbum da classe, gerando controvérsia nas redes sociais. Maioria dos russos concorda que país não oferece condições nem oportunidades iguais para deficientes.

No final de outubro, usuários russos do Facebook compartilharam em massa a história da menina Macha, de 7 anos, que foi alvo de discriminação em uma escola por ser portadora de síndrome de Down. Os pais de colegas em uma escola de Moscou exigiram que a foto de Macha fosse excluída de álbum de fotos da classe. Mas este não é um caso isolado no país.

Vivem atualmente na Rússia quase 13 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, entre as quais mais de 604 mil crianças. Porém, segundo estudo recente do Centro Nacional de Pesquisa de Opinião Pública (VTsIOM), quase 70% dos entrevistados acreditam que ainda existam no país condições nem oportunidades iguais para essas pessoas.

O mesmo levantamento constatou também que cerca de 17% dos russos com filhos e netos menores não concordam que crianças deficientes estudem na mesma classe de seu filho ou neto. O problema não se restringe, porém, ao ambiente escolar.

Em agosto passado, a irmã autista da modelo Natalia Vodiánova foi expulsa de um café em Nijni Novgorod, às margens do rio Volga.

“O dono do café exigiu de maneira grosseira: ‘vamos, vá embora, assusta todos os clientes. Vá se curar e cure seus filhos. E só depois se apresente nos locais públicos’”, escreveu Vodiánova em sua página no Facebook.

O episódio resultou na abertura de um processo criminal junto ao Comitê por violação dos direitos de pessoas com deficiência, e os proprietários do café receberam uma multa no valor de 3 milhões de rublos. Um mês depois, as partes entraram em acordo no tribunal.

“A maioria das pessoas se comporta dessa forma não porque sejam pessoas ruins, mas porque são desinformadas. É preciso instruir as pessoas”, disse a modelo na ocasião.

Ajuda ao Estado

A vida da jornalista Ekaterina Men mudou completamente há nove anos, quando o seu filho de dois anos foi diagnosticado com autismo. “Para o sistema, a criança passou a ser considerada um lixo. Já eu, acredito que o meu filho é de grande valor. Foi dessa contradição que nasceu a minha ONG Centro de Problemas do Autismo”, conta.

“Não havia nenhum tipo de apoio para o meu filho. Ou ia embora do país com condições melhores para ele ou eu fazia alguma coisa por ele aqui mesmo. E quando comecei a fazer, percebi que era impossível fazer apenas para uma criança, as mudanças devem ser sistêmicas”, explica Men.

A primeira coisa que a jornalista fez foi lutar pelo direito do seu filho de frequentar a escola pública comum. Quatro anos atrás, o Centro de Problemas do Autismo desenvolveu um modelo de integração para crianças com autismo no ambiente educativo.

“Foi necessário preparar pessoas para ensiná-los, porque simplesmente não havia. Foi então criado um modelo de inclusão no âmbito do qual foi organizada a escola №1465”, diz. Hoje, 22 crianças com autismo que antes não tinham chance de entrar no sistema de ensino público estudam graças ao projeto, que está sendo avaliado por outras instituições.

Como a verba oferecida pelo governo é insuficiente para cobrir todos os gastos, Men conta também com o apoio da fundação de beneficência Galtchônok e de doações particulares. 

 

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