Investigação de acidente aéreo aponta para três hipóteses

Destroços de avião estão espalhados por quase 20 quilômetros quadrados

Destroços de avião estão espalhados por quase 20 quilômetros quadrados

Reuters
Autoridades de investigação ainda não apresentaram uma versão oficial para a tragédia ocorrida no sábado (31), no Egito. Entre os especialistas russos, três hipóteses ganharam força, mas, até então, só existe consenso em um ponto: o avião se partiu ainda no ar, em elevada altitude, devido a uma descompressão explosiva.

A hipótese de falha técnica ou erro da tripulação como causa do acidente que matou 224 pessoas no Egito foi descartada por representantes da companhia aérea russa Kogalimavia (conhecida como MetroJet), durante coletiva de imprensa nesta segunda (2). “O avião estava em perfeitas condições”, declarou um dos vice-diretores da empresa, Aleksandr Smirnov.

O porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, ressaltou, porém, que ainda há poucas informações para desconsiderar qualquer teoria. “A investigação só está começando. Temos que esperar pelo menos os primeiros resultados”, disse Peskov, referindo-se à análise das caixas pretas iniciada no domingo (1º).

Embora novas versões ganhem respaldo de especialistas à medida que a investigação avança, há consenso em relação a um ponto: uma descompressão na cabine causou a explosão do Airbus A321 em elevada altitude, espalhando destroços sobre uma área de 20 quilômetros quadrados.

Versão 1: Atentado terrorista

Fontes do jornal “Kommersant” que estão entre os peritos trabalhando no local da queda do Airbus declararam que a despressurização e posterior destruição da aeronave poderia ter resultado de uma eventual explosão no compartimento de bagagem.

A detonação da bomba não conseguiria por si só destruir o avião, mas a abrupta queda de pressão levaria a uma descompressão explosiva.

Em conclusões preliminares, peritos russos e egípcios fazem comparações com a queda do Boeing 747 da companhia aérea Pan-American, em dezembro de 1988, na Escócia. No caso, um terrorista havia escondido uma pequena bomba à base de explosivo plástico em um receptor de rádio que estava dentro da mala despachada.

Versão 2: Rachadura

A despressurização da fuselagem e consequente explosão também poderiam ter sido causadas por uma rachadura.

Quinze anos atrás, aconteceu um incidente com essa mesma aeronave no aeroporto do Cairo. Ao tentar endireitar a trajetória de voo durante a aterrissagem, o piloto empinou bruscamente o nariz do avião. A cauda da aeronave acabou batendo na pista.

É possível que os danos dessa batida não tenham sido eliminados por completo e que os técnicos não tenham se dado conta de tal falha.

“Um dano assim pode levar à destruição do avião até décadas depois de ter ocorrido”, disse ao “Moskóvski Komsomolets” o presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Infraestrutura do Transporte Aéreo “Parceiro da Aviação Civil”, Oleg Smirnov.

Cabe lembrar que o Airbus envolvido no acidente de sábado (31) foi comprado pela companhia russa Metrojet depois do incidente. 

Versão 3: Motor com defeito

A descompressão explosiva pode também ter sido originada por um defeito no motor. Caso alguma parte tenha quebrado dentro da turbina, a lâmina solta poderia ter perfurado a asa e a fuselagem do aparelho.

Segundo os especialistas, as pás da turbina “voam em grande velocidade e, se girarem no mesmo plano, conseguem cortar as asas e a fuselagem do avião como se fossem o disco de uma serra”, descreve o jornal russo “Kommersant”.

 

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