Russos se rendem a turismo doméstico

Praia russa: Turistas curtem as férias de verão em resort no mar Negro, na cidade de Adler

Praia russa: Turistas curtem as férias de verão em resort no mar Negro, na cidade de Adler

Mikhail Mokrushin / RIA Nóvosti
Alta do dólar derrubou pela metade o poder de compra dos russos no exterior. Com fama de ‘gastões’, agora eles consomem dentro do país.

Durante o boom econômico da primeira década dos anos 2000, encontrar turistas russos no exterior tornou-se comum. Enquanto a elite desfrutava de Londres e Côte D’Azur, a classe média se dedicava a resorts mais acessíveis na Espanha e na Turquia. Assim, após a crise financeira mundial, o aumento no número de turistas russos compensou a queda no turismo entre países europeus.

Em 2015, porém, as viagens de russos ao exterior diminuíram cerca de 34%, a maior queda dos últimos 20 anos, segundo a União da Indústria de Viagens da Rússia.

A queda pode ser explicada pela crise do rublo, que derrubou pela metade o poder de compra dos russos no exterior. Ainda não se prevê, contudo, uma grande onda de demissões no setor, já que os russos precisam retirar vistos para diversos destinos, diferentemente do Brasil.

Mudança de rota

Com a queda, porém, os destinos domésticos na Rússia passaram a registrar indicadores excepcionais. Vladivostok e Sôtchi agora substituem destinos como a Tailândia ou Marbella, na Espanha.

34%

foi a queda registrada em 2015 no número de turistas russos que visitam a Europa, a maior dos últimos 20 anos

“Os russos começaram a explorar seu próprio país e a descobrir que, afinal, ele é muito mais agradável do que pensavam”, diz Irina Schegolkova, da agência estatal de fomento do turismo russo Rostourism.

Nos arredores de Moscou, o roteiro histórico “Anel de Ouro” tem sido beneficiado pela nova tendência.

Já a Crimeia, ainda que fechada aos turistas que a frequentavam antes da reintegração à Rússia, ou seja, europeus e ucranianos, continua a ter uma frequência relativamente estável.

Enquanto isso, o dono de uma das principais lojas russas em Cannes, Marcel, admite que o negócio está quebrando. “Calculo uma queda de 30% nas vendas. O número de turistas diminuiu bastante neste ano”, diz ele.

700

reais é a média diária de gastos de um turista russo na Europa, o dobro de um norte-americano

Marcel afirma conhecer bem o novo destino de seus clientes. “A maioria deles está em Sôtchi. Afinal de contas, é isso que Pútin quer”, diz. “Talvez a gente se mude para lá e abra uma loja francesa”, diz, brincando, sua esposa, Tânia.

Não é apenas o próspero sul da França que está sofrendo: o número de viagens de russos para a Turquia caiu de 2 milhões para 1,4 milhão; para a Alemanha, a queda foi de 30%; para a Grécia, 54%; e para a popular Bulgária, 36%.

Na Espanha, a diminuição de 41% no número de turistas russos pode ter sido compensada pelo aumento de 40% de visitantes norte-americanos. Nos caixas das lojas, porém, os russos deixam saudades: eles gastam, em média, 155 euros por dia (R$ 700), enquanto os americanos, metade disso.

 

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