Maioria dos russos é contra plástica, revela Levada

Shutter Stock/Legion Media
Ao contrário do Brasil, interesse por procedimento caiu nos últimos dez anos. Número elevado de cirurgiões na Rússia contrasta, porém, com rejeição de locais por plástica.

Quase 70% dos russos, contra 45% em 2006, se opõem à cirurgia plástica por questões estéticas, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro Levada. O estudo revelou também que apenas 7% planejam fazer uma plástica no futuro, enquanto 73% excluem tal possibilidade.

A demanda por cirurgias estéticas é maior nas cidades nas grandes cidades, como Moscou e São Petersburgo, “onde as pessoas costumam ter mais dinheiro”, explicam os especialistas.

“A quantidade de dinheiro gasto em cirurgia plástica é proporcional aos salários”, diz o secretário da Sociedade Russa de Cirurgiões Plásticos, Reconstrutivos e Estéticos, Konstantin Lipski. “Aliás, o número de pessoas que procuram operações plásticas reflete a situação no país. Desde o ano passado,  por exemplo, o número de operações caiu drasticamente.”

Em 2014, foram realizadas mais de 9,6 milhões de cirurgias no mundo todo, das 8,2 milhões foram feitas em mulheres, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). Não há dados consolidados sobre a situação isolada na Rússia.

Campeões da faca

1. EUA
2. Brasil
3. Coreia do Sul 
4. México
5. Japão
6. Alemanha
7. Colômbia
8. França

No entanto, tanto no país, como no resto do mundo, o lifting das pálpebras, a rinoplastia, a correção da mama, o rejuvenescimento facial e a lipoaspiração estão entre os procedimentos mais populares.

“Eu fiz a operação há 14 anos e agora pareço mais jovem do que a idade que tenho”, conta Margarita, de 66 anos. “Fiz um lifting ao rosto e pálpebras, e foi por mim mesma que o fiz. Qualquer mulher, diga ela o que disser, quer ser bonita.”

Cirurgião ou charlatão?

Também de acordo com a Isaps, a Rússia não figura entre os oito países com maior número de cirurgias plásticas (vide box). Porém, em termos de quantidade de especialistas, a Rússia, que possui 2.000 cirurgiões plásticos, ocupa o sétimo lugar.

“Talvez essas pessoas se autointitulem cirurgiões plásticos, mas, na verdades, acho que existem cerca de apenas 100”, diz Lipski. “Oficialmente, estão certificados na nossa sociedade em torno de 600 profissionais. Os demais, não sei quem são.”

Like a virgin

Os membros da comunidade médica têm uma relação igualmente cética relativamente aos especialistas em himenoplastia, ou reconstrução do hímen, pois consideram que o procedimento não pode ser considerado como cirurgia plástica.

“Trata-se de um procedimento popular apenas nas regiões predominantemente muçulmanas do país e no Cáucaso – Armênia, Geórgia e Azerbaijão”, afirma a cirurgiã plástica Elena.

“Nesses locais existe uma forte tradição referente à virgindade da noiva. Muitas vezes, antes do casamento, são as próprias mães que levam as filhas, pois compreendem que, de outra forma, as meninas podem não conseguir se casar”, acrescenta.

 

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