Disputando guarda, brasileira tem filha sequestrada por pai

Foto: Gazeta Russa

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Foragido da polícia, moscovita procurado pela polícia russa apresentou-se como francês para Mariana da Costa, 24, com quem teve uma filha na capital russa em agosto de 2014. Depois de levar a esposa à embaixada pedindo que a retornassem ao país natal e enviá-la para um hospital psiquiátrico, russo tomou a filha da casa da mãe, nos arredores de Moscou no último domingo (8).

No último domingo (8), a brasileira Mariana da Costa, 24, teve a filha sequestrada pelo ex-marido, Cristian de Loyal, de sua casa nos arredores de Moscou. Os dois se conheceram no Rio de Janeiro em 2014 e se casaram em Moscou após alguns meses, com a jovem já grávida.

A filha, Marina, nasceu em 31 de agosto de 2014. Mas em pouco tempo as diferenças entre o russo e a brasileira se tornaram irreconciliáveis, e o casal decidiu pelo divórcio.

A disputa pela guarda da filha, porém, gerou uma série de incidentes entre os dois. Em dezembro do ano passado, Mariana chegou a ser internada em um hospital para doentes mentais após Cristian acusá-la de tentar roubar a filha e chamar a polícia e uma equipe psiquiátrica.

Segundo a defesa de Mariana, o russo também ameaçou diversas vezes dar a filha a outra família.

Além disso, em meados de 2014, ele encaminhou a brasileira à embaixada e pediu que a enviassem de volta à terra natal.

"Na primeira vez em que ele a expulsou de casa, a Mariana estava grávida de oito meses. Ele a entregou na embaixada dizendo estava enjoado dela e que não precisava dela", diz a advogada de defesa de Mariana, Viktoria Pashkova.  

A embaixada brasileira começou a preencher os papeis para retornar Mariana ao Brasil, mas logo Cristian mudou de ideia, fez as pazes com a mulher e levou-a de volta para casa.

Quando se conheceram, Cristian apresentou-se para Mariana como sendo um médico francês. Mas, na realidade, o russo era procurado na terra natal, razão pela qual alterou seu nome de batismo, Andrêi Boróvkin.

Acusado por fraude na Rússia, ele também é suspeito de cometer crimes em outros países, segundo os advogados de Mariana.

Disputa pela guarda

Até o último domingo (8), quando foi sequestrada pelo pai, a criança estava sob a guarda da mãe enquanto ocorria a investigação judicial.

Marina é vista sendo carregada nos braços pelo pai em fuga em vídeo registrado pelas câmeras de segurança instaladas na casa da mãe.

Cristian levou a filha, de seis meses, para Níjni Nóvgorod, 420 km a leste de Moscou, e a deixou com uma suposta tia - que, depois, provou-se não ter qualquer laço sanguíneo com ele. De volta a Moscou, o russo foi acusado, mas sem prisão preventiva.

"Ela [Mariana] não estava apta à vida familiar. Comia arroz com feijão de manhã, à tarde e à noite... Quando pedi que encontrasse na internet umas receitas de outras comidas, não reagiu. Ela não fazia nada além de ler fanaticamente a Bíblia e assistir novelas nos canais russos de TV. A criança chorava e nunca estava asseada de maneira nenhuma", disse Cristian ao canal russo NTV.

O pai da criança não compareceu à audiência preliminar da última terça-feira (10), e foi representado pelo advogado Andrêi Golítsin, que a advogada Pashkova afirma ser também uma fraude.

"Esse representante, o senhor Golítsin, não tem status de advogado, e não pode sequer confirmar se a criança se encontra em um local seguro e sem ameaças", disse Pashkova.

Durante o julgamento, Golítsin afirmou que Cristian não irá comparecer ao tribunal e que não revelará o local onde estão pai e filha.

Mariana deixou a sala de audiências aos prantos. "Quando milha filha estava comigo, eu permiti que o pai a visse, agora, quando ele esconde minha filha, eles não me dão o direito de vê-la", disse.

Logo após deixar o tribunal, Golítsin foi detido pela polícia, segundo os advogados de Mariana, que acreditam que ele tem ajudado Cristian no sequestro da filha.

"Em 8 de março, quando Mariana foi interrogada na polícia, interrogaram também um círculo de pessoas que poderia saber do paradeiro de filha e pai. Fornecemos todas as provas. Hoje, o senhor Golítsin negou-se a informar seu paradeiro, apesar de termos registros em vídeo onde ele admite saber onde se encontra a criança. Infelizmente, o tribunal não pode obrigar a indivíduo a dizer onde se encontra a criança sequestrada. Por isso, espero que os órgãos de aplicação da lei agora esclareçam essa situação de modo legal", disse Pashkova.

A audiência principal foi remarcada para 23 de março. As testemunhas do caso serão ouvidas nessa data, e os representantes de Mariana prometem apresentar provas de que a criança deve ficar sob a guarda da mãe. 

Com material do portal Ridus e do canal NTV.

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