A arte do balé russo

Cerca de 98% das crianças se consagram ao balé sem ter em vista uma carreira profissional Foto: RIA Nóvosti

Cerca de 98% das crianças se consagram ao balé sem ter em vista uma carreira profissional Foto: RIA Nóvosti

Ensino russo na área é um dos melhores do mundo. Apesar dos bailarinos se aposentarem aos 38 anos e apenas 5% se tornarem solistas, muitos pais continuam inscrevendo seus filhos no balé com a esperança de que eles venham a brilhar nos palcos dos teatros Bolshoi ou Mariínski.

Os russos sempre se orgulharam de seu balé nacional tanto quanto como da exploração do Espaço. Na era soviética, cada vaga de uma escola de coreografia era disputada por 100 candidatos. Hoje em dia, a popularidade de balé continua em alta. A Escola-Estúdio de Ilze Liepa admite crianças a partir dos dois anos e meio de idade, por exemplo.

Maria Subbotovskaia, co-fundadora deste estabelecimento de ensino, defende:

“É no balé que a expressão corporal atinge seu máximo. Por outro lado, as aulas, que decorrem ao som do piano, incutem o gosto pela música clássica. Todos movimentos ganham harmonia, graciosidade. Assim se forma o corpo, sobretudo, a boa postura.”   

Aptidões inatas 

No estrangeiro, quando se fala do balé clássico russo, logo se pensa nos dois famosos teatros – Bolshoi e Mariínski, nos quais dançam muitos finalistas da Academia Estatal de Coreografia de Moscou e da Academia Vagánova de Ballet Russo. Para ingressar nelas pouco adianta a preparação, pois o papel decisivo cabe às capacidades inatas que se manifestam na flexibilidade, nas propriedades do pé, nas capacidade de elevação e no ouvido musical. As entrevistas deixam pelo caminho muitos candidatos.

“Cerca de 98% das crianças se consagram ao balé sem ter em vista uma carreira profissional. Algumas poderão até sonhar com ela, ainda que se contem nos dedos as pequenas estrelas. Quando aparecem, seu ensino exige um trabalho minucioso”, sublinha Subbotovskaia. “A nossa escola existe há oito anos e durante este tempo apenas cinco alunas nossas ingressaram na Academia Estatal de Coreografia de Moscou.

“Ajuda muito quando uma criança manifesta vontade, alimenta um sonho. Ensinar à força não conduz a qualquer resultado”, continua Subbotovskaia. “O que importa é o caráter, a disciplina; as aptidões físicas podem ser trabalhadas.” 

Solistas 

Natália Mostováia, hoje com 38 anos, já foi bailarina. O sonho, mais do que as muitas horas de exercício passadas na barra, trouxe a jovem da Ucrânia para Moscou. A rotina: anos de estudo, tentativas para ser admitida em companhias famosas e participação em espetáculos de circo e outros. Enfim, aos 30 anos de idade, Natália decidiu se dedicar ao ensino. Atualmente, é diretora da escola de balé Ribambelle, onde ensina crianças. No entanto, não se arrepende de ter optado por ser bailarina.

“Acontece frequentemente de os pais ignorarem os pormenores da profissão e resolverem pelos filhos, embora estes não demonstrem nem vontade nem jeito para dançar. Logo aí começam os problemas. Se os pais continuam pressionando podem influenciar negativamente o destino da criança. Mesmo entre os finalistas das academias de balé, apenas 5% são admitidos em boas companhias. E um número menor se torna solista.”

“Se até aos 23 anos a meta não for alcançada, há que pensar seriamente no que fazer a seguir”,  recomenda Mostovaia. “A maioria opta por trabalhar no ensino, se casa ou procura outro curso. A carreira profissional dos bailarinos é muito curta, eles se aposentam aos 38 anos.”

Há muitos casos em que o resultado final não compensa o desgaste físico, o tempo dispendido e os meios investidos. Só para se ter uma ideia, os custos mensais de aulas de balé em Moscou se aproximam dos US$ 500.  

Círculos de dança  

Uma alternativa às escolas de balé são os círculos de dança: só em Moscou existem milhares, muitos dos quais gratuitos. Pesquisa do Centro Panrusso de Pesquisas de Opinião Pública de maio de 2012 aponta que entre 61% das crianças russas com atividades extracurriculares, 17% se dedicam à dança.

Seguir uma profissão artística, apesar das grandes dificuldades, não assusta a nova geração: 16,4% das crianças entre 5 e 6 anos de idade querem estudar artes, entre as quais o balé tem certo prestígio, como revela pesquisa da Fundação Crianças do Mundo de maio do ano passado.

 

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