O que ensinavam e o que ensinam hoje os colégios militares

As escolas militares davam os conhecimentos necessários para que crianças ingressassem no ensino superior Foto: RIA Nóvosti

As escolas militares davam os conhecimentos necessários para que crianças ingressassem no ensino superior Foto: RIA Nóvosti

A Rússia tinha colégios militares já no século 18. Encerrados após a revolução de 1917, eles reabriram durante a 2a Grande Guerra. Neste ano, quando comemoram seu 70º aniversário, a Gazeta Russa descreve a história destes estabelecimentos de ensino, procurando entender as razões de sua popularidade.

Nikolai Leskov (1831-1895) foi um escritor genuinamente russo, como afirmam seus contemporâneos. Em “Mosteiro de Cadetes”, um conto de 1880, descreveu assim o diretor do Primeiro Colégio Militar Petersburguês:

“Mikhail Stepánovitch (…) andava sempre fardado, mas de modo mais elegante: chapéu de três pontas, costas direitas e ar juvenil; se dava importância no andar altivo, no qual expressava o seu estado de alma, impregnado do sentido do dever e do desconhecimento do que era o medo.”

Este era o exemplo das crianças e adolescentes dos 7 aos 15 anos daquele tempo. Sobretudo, um exemplo para os que pensavam prosseguir a vida militar.

Império e liberdade de pensamento

No Império Russo, os colégios militares surgiram em 1743. Foi então que as ruas de S. Petersburgo e de outras cidades começaram a ver jovens com farda militar e espada ao lado. O ar garboso com que se apresentavam foi incutido durante todo o período de ensino. Os cadetes mais velhos marcavam presença nas paradas militares, aos quais o imperador passava revista (os cadetes de hoje, os “suvórovtsi” –alunos da Escola Militar Suvorov–, costumam participar nos desfiles militares que cruzam a Praça Vermelha). Seu aprumo militar se aproximava da perfeição.

Os colégios militares, que preparavam a elite do Exército russo, davam atenção particular à ética. Os jovens estudavam línguas, História e, obrigatoriamente, a arte da dança. Naquele tempo, só era considerado verdadeiro homem aquele que soubesse se comportar tanto na guerra, como na presença de damas da sociedade.

A URSS e a ajuda aos órfãos

Os colégios militares foram reabertos após 27 anos do início da Revolução de Outubro, mais precisamente em 1944. A reativação destes estabelecimentos ajudou a solucionar um grave problema social: segundo dados oficiais do Centro Memorial Militar das Forças Armadas da Federação da Rússia, durante a Segunda Guerra, a União Soviética perdeu cerca de 26,6 milhões de cidadãos, homens em sua maioria.

Foto: RIA Nóvosti

Depois da guerra, muitas crianças cresceram sem pais, muitas delas órfãos de pai e mãe. As escolas militares compensavam, mesmo por pouco que fosse, a ausência de um adulto masculino e aliviavam a situação dos aglomerados familiares mais carentes.

Em primeiro lugar, se tornavam “suvórovtsi” os filhos dos militares que morreram em combate. As escolas militares davam os conhecimentos necessários para que eles ingressassem no ensino superior, de onde saíam bem preparados profissionalmente. Ao todo, havia 50 escolas deste tipo na URSS.

Popularidade dos colégios

“A preparação dos cadetes se dá respeitando as melhores tradições dos colégios militares da Rússia pré-revolucionária”, diz o general Aleksandr Kassianov, diretor da Escola Militar Suvorov de Moscou.

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O estabelecimento formou mais de 12 mil oficiais durante os seus 70 anos de vida, 40 dos quais chegaram ao generalato. Oito se tornaram Heróis da União Soviética ou da Rússia.

“O currículo, além de incluir preparação física e disciplinas gerais do primário e do secundário, dedica muita atenção à ética e ao comportamento social dos rapazes. Inclui, por exemplo, danças de salão e princípios de etiqueta”, diz Evguênia, psicóloga de uma das escolas militares russas.   

 

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