Sputnik contará com colaboradores locais para retratar a Rússia

Ao contrário de projetos anteriores, a produção de conteúdo não ficará restrita a Moscou Foto: Aleksêi Filipov/RIA Nóvosti

Ao contrário de projetos anteriores, a produção de conteúdo não ficará restrita a Moscou Foto: Aleksêi Filipov/RIA Nóvosti

Na semana passada, a agência internacional de notícias “Rossia Segodnia” (“Rússia Hoje”, em português) lançou uma nova rede de informação, intitulada Sputnik. Enquanto os diretores do projeto definem a iniciativa como “um olhar alternativo sobre os acontecimentos mundiais”, veículos de comunicação estrangeiros alegaram que a Sputnik seria mais uma ferramenta de propaganda do Kremlin.

O projeto internacional multimídia “Sputnik” inclui uma agência de notícias, o site Sputniknews.com, um centro de imprensa e uma rede de estações de rádio, que será transmitida em 30 línguas e em 34 países. “A agência procura que o mundo veja a Rússia como um país movido por boas intenções”, explica Dmitri Kisseliov, diretor-geral da agência.

Ao contrário de projetos anteriores, a produção de conteúdo não ficará restrita a Moscou. O Sputnik, que contará com colaboradores locais, já possui 17 escritórios próprios em ex-repúblicas soviéticas. No último dia 11, sua rádio própria começou as transmissões na Geórgia.

A ideia é que a nova rede de informação também aproveite o potencial da rádio Voz da Rússia, que, em dezembro de 2013, foi dissolvida por um despacho presidencial “sobre algumas medidas destinadas a aumentar a eficácia da mídia estatal”.

Com base no mesmo documento, foi extinta a agência de notícias Ria Nóvosti, a partir da qual foi criada a Agência Internacional de Informação “Rossia Segodnia” (“Rússia Hoje”). Funcionando desde dezembro de 2013, esta agência transmite não só notícias da Rússia, mas também de eventos internacionais sob a visão oficial do país.

“O novo projeto privilegiará debates analíticos, opiniões de especialistas e programas de entretenimento, que se distinguirão pela qualidade e visão dos temas e, o que é mais importante, nos darão outro entendimento do mundo”, afirma a redatora-chefe da agência, Margarita Simonian.

Alguns jornalistas estrangeiros criticaram o desaparecimento da Voz da Rússia e da RIA Nóvosti. Segundo eles, a criação da “Rossia Segodnia”, congregando diversos órgãos de comunicação russos, significa que o Kremlin quer afirmar a Rússia como uma voz antiamericana.

RT contra o Ocidente?

O principal recurso da “Rossia Segodia” é o canal de televisão Russia Today, que transmite notícias de Moscou 24 horas por dia para mais de 100 países, em três idiomas –  inglês, árabe e espanhol. Estima-se que 700 milhões de pessoas tenham acesso ao canal, que possui estúdios próprios em Washington e Londres.

Embora tenha sido nomeado mais do que uma vez para prêmios internacionais, o canal divide opiniões na comunidade jornalística internacional e já foi até comparado a tablóides ocidentais.

Recentemente, o regulador britânico Ofcom acusou o RT de “apresentar tendenciosamente os acontecimentos na Ucrânia e de vincular unicamente as posições das autoridades russas”.

Simonian rebateu as críticas dizendo que as declarações são “uma tentativa de influenciar a política informativa do canal”.

Tass, a pioneira

Funcionando desde 1904, a Tass é a mais antiga agência de notícias estatal russa. Durante a Grande Guerra Patriótica, como é conhecida a Segunda Guerra Mundial no país, criou um departamento especial e enviou vários repórteres para a linha da frente.  

Em 1992, a agência passou a se chamar Itar-Tass, mas, em setembro passado, recuperou seu nome histórico. Com uma vasta rede de correspondentes em 70 centros regionais e 63 países, a Tass fornece conteúdo em seis línguas: russo, inglês, francês, alemão, espanhol e árabe.

Para além das manchetes

O projeto internacional “Russia Beyond the Headlines” (RBTH), que engloba a Gazeta Russa, é um dos instrumentos de informação russos voltados ao público estrangeiro. “Os materiais da mídia russa raramente aparecem na imprensa estrangeira, pois a nossa tradição jornalística é diferente da de outros países”, diz Evguêni Abov, editor-chefe do RBTH.

Desde 2007, os veículos do RBTH tentam ampliar a presença russa nos meios de comunicação do exterior por meio de suplementos publicados com grandes jornais de 23 países. No Brasil, o veículo é publicado quinzenalmente com o jornal Folha de S.Paulo. Por meio do RBTH também foram lançados 20 sites de notícia, em 16 línguas.

“No início, nossos parceiros estrangeiros tinham receio de que não houvesse congruência com os veículos locais, mas conseguimos convencê-los de que propaganda é sinônimo de mau jornalismo. Falamos da Rússia sem admitir prevalência de qualquer parte ou omissão de pontos de vista”, acrescenta Abov.

Além de informar os leitores sobre temas internos, o projeto aborda questões internacionais em que a Rússia está envolvida. O RBTH tem como princípio básico se orientar pelos padrões e tradições da imprensa nos países onde é editado. Mais de 70% dos materiais são de produção própria, e o restante é selecionado de grandes meios de comunicação russos, traduzidos e adaptados pelos redatores do RBTH.

 

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