Retirada de iPhone gigante em São Petersburgo gera polêmica

Empresa que erigiu monumento em homenagem a Steve Jobs decidiu demolir a peça Foto: Ígor Russak/RIA Nóvosti

Empresa que erigiu monumento em homenagem a Steve Jobs decidiu demolir a peça Foto: Ígor Russak/RIA Nóvosti

Em São Petersburgo, a retirada de um monumento em forma de um enorme iPhone, erigido por uma empresa privada em homenagem a Steve Jobs, gerou polêmica já que ele foi removido do local pela própria companhia um dia depois de o CEO da Apple, Tim Cook, anunciar que era gay.

No dia 3 de novembro, um monumento a um dos fundadores da Apple, Steve Jobs, em forma de um enorme iPhone de metal e plástico, foi retirado do pátio da Universidade Nacional de Pesquisa em Tecnologias de Informação, Mecânica e Óptica de São Petersburgo.

O incidente gerou críticas por causa dos comentários de Maksim Dolgopolov, presidente do Conselho de Diretores da União Financeira da Europa Ocidental, que indicou que a decisão de retirar a peça do local estaria ligada ao anúncio, em 2 de novembro, do CEO da Apple, Tim Cook, de que era gay.

A empresa inicialmente havia anunciado a intenção de destruir o monumento, mas no final deixou que o seu destino fosse decidido em uma votação pela internet, aberta a toda população.

Até agora, a maioria (54%) se manifestou a favor do retorno do monumento de 188 cm (essa era a altura de Jobs) para o seu lugar de costume.

A VKontakte, maior rede social russa, se interessou pelo símbolo e se ofereceu para custear os reparos necessários e transportá-lo para o seu escritório. O reitor da instituição, Vladímir Vasiliev, também declarou que a universidade está disposta a investir recursos próprios nos reparos para devolver o monumento ao seu lugar.

Uma falsa lenda

Dolgopolov chamou o gigantesco  iPhone de "ponto de difusão de uma lenda mentirosa americana que, além do mais, é uma lenda e uma ideologia infecciosa e prejudicial, até mesmo inimiga".

"Inicialmente, fomos atraídos pelo belo mito do programador genial Steve Jobs [Jobs nunca trabalhou como programador]. Como a maioria dos colegas da área de TI, estávamos seguindo os passos do modelo americano de tecnologias da informação, ou seja, as abordagens que a Apple professa. Por essa razão, foi tomada a decisão de evidenciar, através da instalação do monumento, que a cidade de São Petersburgo estava pronta para cooperar com as redes globais de informação", diz Maksim.

Os devaneios da empresa foram dissipados pelas revelações de Edward Snowden, ex-funcionário da CIA, reconhece Dolgopolov.

O iPhone mártir

A escultura foi instalada em São Petersburgo em janeiro de 2013. O monumento foi o primeiro dedicado a Jobs na Rússia e o terceiro do mundo (depois da Hungria e da Ucrânia). A sua criação custou aos proprietários alguns milhões de rublos (por volta de US$ 200 mil, mas o valor exato não é citado).

"Os produtos da Apple são uma ferramenta de manipulação e total monitoramento dos usuários em todo o mundo pelos serviços secretos americanos. A guerra cibernética contra eles será o primeiro e o mais doloroso golpe para os cidadãos da Rússia”, completa.

Motivação para todos

No entanto, os produtos da Apple são utilizados pelos funcionários do parque tecnológico em cujo pátio o despojo do monumento agora se encharca sob a chuva. Aleksandr Golovatii, representante do Conselho Estudantil da universidade, disse que o monumento ao fundador da Apple era querido na instituição de ensino:

"A história de um líder dessa envergadura em seu ramo não pode deixar de motivar os alunos e funcionários da universidade. Você chega de manhã para estudar ou trabalhar e nada parece dar certo, o seu projeto não trouxe qualquer lucro durante o último mês. E de repente você se depara com o monumento a Steve Jobs. Imediatamente surge a sensação de que é preciso ir em frente e crescer.”

Na universidade, é enfatizado especialmente que para eles o iPhone é, em primeiro lugar, um monumento a uma personalidade lendária e não aos produtos da Apple.

 

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