Jogo desafia participantes a se livrar de “prisão”

“Claustrofobia” tornou-se famoso rapidamente Foto: Gazeta Russa

“Claustrofobia” tornou-se famoso rapidamente Foto: Gazeta Russa

Os jogos conhecidos como “quest” apareceram em Moscou no final do ano passado e logo se tornaram muito populares. Neles, os jogadores são presos em um cômodo e precisam descobrir por meio de charadas como sair do local. Hoje, locais para esse tipo de jogo continuam a ser abertos tanto em outras cidades do país quanto no exterior. A licença para o jogo “Claustrofobia” foi comprada inclusive por Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Bielorrússia, Armênia e Cazaquistão.

Em Moscou, os “Escape Games” se tornaram uma nova tendência. Há alguns meses,   ouvi diferentes pessoas falando a respeito do jogo “Claustrofobia” e de outros parecidos.

Apesar do fato de haver muitos “quests” em Moscou, nos fins de semana e às noites o horário é definido com antecedência de várias semanas. 

Decidi experimentar e reuni um grupo de quatro pessoas. Chegamos a um lugar subterrâneo localizado no centro de Moscou e antes de o jogo começar, recebemos várias instruções: não quebrar os móveis, não desmontar as placas, não desligar os cabos. “Caso precisem  de alguma dica, há um interfone na parede. Vocês terão apenas uma hora”, disseram.

Depois, fomos fechados num local decorado no estilo de castelo medieval e assim  começamos resolver os “quests”, procurar os sinais escondidos e calcular para descobrir onde estava escondida a chave da porta de entrada.

Nova dimensão

“No verão do ano passado, eu inventei esse formato e o testei. Descobri que ‘escape rooms’ parecidas já existem na Hungria. Eu fui para Budapeste, joguei e percebi que a minha ideia era muito mais interessante  e já em 21 de novembro de 2013 nós lançamos o primeiro ‘quest’”, conta o fundador  e diretor-geral do “Claustrofobia”, Bogdan Kravcov.

Recentemente, Artemi Lebedev, um dos designers e blogueiros mais famosos da Rússia, lido por dezenas de milhares de pessoas, escreveu sobre os primeiros "quests", chamados de “Hospital” e “Apartamento”, jogos perfeitos para quatro pessoas, mas também muito interessantes para duas pessoas.

“Claustrofobia” tornou-se famoso rapidamente. Blogueiros famosos escrevem sobre esse jogo e a propaganda tem sido no boca a boca.

Hoje há 20 “quests” de “Claustrofobia” na capital, e o jogo continua a se expandir também para outras cidades da Rússia: São Petersburgo, Kazan, Níjni Novgorod.

“Nós temos um esquema de ‘franchising’, as pessoas compram a licença e nós lhes mostramos como criar novos ‘quests’ e assumimos a responsabilidade pelas despesas com propaganda”, disse Kravcov.

“Em comparação com os nossos concorrentes, em ‘Claustrofobia’ nos orientamos para a semelhança com a realidade. Isso não é nem propriamente um ‘quest’, mas um jogo de papéis. Se é um submarino, é preciso emergir antes de o oxigênio acabar. Se é um departamento de polícia, é preciso procurar os bandidos.”

“Claustrofobia" começa a ter muitos concorrentes. De acordo com Bogdan, já há cerca de 30 deles (apenas empresas, a quantidade de salas é maior ainda). Em algumas cidades, eles estão ultrapassando “Claustrofobia” em popularidade.

Em Kazan, o projeto Lock Story é mais popular do que todos os outros. Anna Russ, responsável pelo cenário e consultora responsável pela realização, disse à Gazeta Russa:

"Em maio, nós abrimos o primeiro, que teve um sucesso enorme. No jogo ‘A Pessoa Que Não Existia’ participaram todos os blogueiros famosos de Kazan e logo depois o projeto ficou famoso automaticamente. É um thriller psicológico: você segue os traços de uma pessoa que não existiu e no final acontece a catarse."

A população de Kazan é de quase dois milhões habitantes. De acordo com Anna, os organizadores dedicam cerca de um ano a cada “quest”:

“Quando nos criamos um novo espaço, começamos a pensar no novo cenário que será organizado nele daqui a um ano.”

Numa cidade tão grande quanto Moscou, a situação é inversa, o número de interessados parece não ter limite.

“É maior do que o número de espaços que nós conseguimos abrir", disse Kravcov.

Exportação

A partir de um certo momento, os estrangeiros começaram a se mostrar ativamente interessados em “Claustrofobia”.

“Em geral, são pessoas que vieram para Moscou, jogaram e decidiram abrir o ‘quest’ em seu país. Atualmente, cerca de 70 ‘quests’ estão em desenvolvimento e muitos  deles no exterior: em Amsterdã, Londres, Berlim, Viena, Nova York, Miami, Istambul. Em breve nossos ‘quests’ serão abertos na Armênia, na Ucrânia, na Bielorrússia, no Cazaquistão e em outras 15 cidades da Rússia”, disse Kravcov.

De acordo com Kravcov, a cada semana ele recebe cerca de 500 cartas do mundo inteiro com perguntas sobre a franquia.  

 

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