País abre alistamento militar e promete redução no número de recrutas

Apesar do programa, os recrutas alistados continuarão a servir pelo período atual, de um ano Foto: PhotoXPress

Apesar do programa, os recrutas alistados continuarão a servir pelo período atual, de um ano Foto: PhotoXPress

Mudanças serão incorporadas nos próximos anos para substituir alistamento obrigatório por soldados contratados.

O dia 1 de outubro foi marcado pelo início do alistamento obrigatório para os cidadãos de sexo masculino de 18 a 27 anos de idade na Rússia.

De acordo com as regras vigentes, os pais de famílias com três ou mais filhos não estão sujeitos ao serviço militar, enquanto os moradores de áreas rurais envolvidos na coleta de safra farão parte da campanha apenas no período de 15 de outubro a 31 de dezembro.

O Ministério de Defesa russo prevê o recrutamento obrigatório de 150 mil jovens cidadãos do país, que servirão em diversos departamentos das Forças Armadas.

Contratados

Nos próximos anos, porém, a quantidade de recrutas será reduzida devido ao início da segunda etapa do programa de substituição do alistamento obrigatório pela contratação de soldados voluntários promovido pelo ministro de Defesa russo, Serguêi Choigu.

Apesar do programa, os recrutas alistados continuarão a servir pelo período atual, de um ano. Para Choigu, um prolongamento nesse prazo não solucionaria a falta de profissionais qualificados enfrentada pelo exército, já que a complexidade dos equipamentos utilizados requer anos de treinamento.

De acordo com estudo realizado pelo Centro Russo de Pesquisas de Opinião Pública (VTsIOM) em 42 regiões do país em fevereiro de 2014, 80% dos russos acreditam que todos os cidadãos do sexo masculino devem estar sujeitos ao serviço militar obrigatório, enquanto 42% declaram ser uma questão de honra se alistar. Conforme os resultados da pesquisa, caiu a quantidade de entrevistados que se referem ao serviço militar como "uma atividade sem sentido que deve ser evitada" (de 25%, em 2000, para 16%, em 2014).

Para os jovens sujeitos ao alistamento, a necessidade de abandonar suas atividades como civis é o principal motivo para não desejar a convocação.

"Apesar de ser um dever legal de qualquer cidadão russo do sexo masculino, o serviço militar obrigatório não passa de um ano inteiro cheio de sofrimento e perda de tempo. Meus antigos colegas de classe voltaram desatualizados e sem qualquer vontade de trabalhar", diz o ex-recruta Andrêi Safonov, que hoje atua como analista da rede de lojas infantis "Détski Mir".

Apesar de ter motivos médicos para ser liberado do dever militar, Safonov precisou "reforçar" a gravidade da sua doença perante a comissão de avaliação.

"Não subornei ninguém, nem usei meus contatos. Devido ao meu estado de saúde, não sou apto para o serviço nas Forças Armadas. Mas, para evitá-lo de vez, precisei 'aumentar' um pouco a gravidade da coisa", diz.      

Já o professor de língua inglesa Danila Rutskoi não se escusou do dever quando recrutado.

"Em vez de fazer um curso de pós-graduação, subornar alguém ou me esconder para evitar o alistamento, resolvi cumprir meu dever como cidadão. Não considerei meus futuros estudos úteis para a sociedade, e quis fortalecer a minha própria personalidade", diz.

Ele acabou servindo na cidade de Krasnodar e, posteriormente, nos arredores de Moscou como especialista do serviço de comunicação.

"No final das contas, não consegui mudar o meu jeito, nem alcançar meus objetivos, mas adquiri habilidades para resolver problemas 24 horas por dia, gerenciar dezenas de pessoas e até aprendi a usar uma metralhadora Kalashnikov", conta Rutskoi.

Apesar de comuns no exército russo, as humilhações a recrutas não alcançaram Danila. Isso se deveu ao alto nível de formação dos seus colegas, a maioria dos quais tinha diplomas universitários. Sua única desvantagem estava na obrigatoriedade de limpar os quartéis nos finais de semana.

 

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