Ainda tímidas, reclamações via internet crescem no país

Apesar de certa eficiência dos meios de comunicação eletrônica, o resultado positivo não é sempre garantido Foto: ITAR-TASS

Apesar de certa eficiência dos meios de comunicação eletrônica, o resultado positivo não é sempre garantido Foto: ITAR-TASS

As plataformas sociais disponibilizadas na internet destinadas ao estabelecimento de um diálogo entre a população e os governantes do país estão ganhando lentamente a confiança dos russos. No entanto, os principais obstáculos à popularização do serviço incluem a falta de acesso à rede mundial em 40% de domicílios e a desconfiança geral por parte da população.

As tecnologias de informação modernas estão começando a exercer uma influência direta sobre o desenvolvimento da democracia em solo russo através das plataformas sociais disponibilizadas na internet. De acordo com dados estatísticos dos serviços Iópolis e Cidadão Zangado, nos últimos meses, uma ampla variedade de sites destinados à coleta de petições, queixas e declarações endereçadas às autoridades russas permitiu que os cidadãos suspendessem a desmontagem da Torre de Chukhov, em Moscou, fechassem as portas da usina de incineração Ekolog e mantivessem as atividades  de um orfanato na unidade federativa de Saratov, assim como resolvessem uma quantidade infinita de pequenos problemas de usuários.

Apesar de certa eficiência dos meios de comunicação eletrônica, o resultado positivo não é sempre garantido. No dia 15 de junho, Serguêi Molostvov usou uma plataforma online para encaminhar um relato eletrônico, onde citou altas vibrações nos vagões dos trens que operam na linha azul do metrô moscovita.

"Todos os dias eu havia passado pelas estações do trecho, onde posteriormente aconteceu uma tragédia. As vibrações deixavam os passageiros irritados, eles caíam, derrubavam  seus pertences, porém permaneciam em silêncio", diz Molostvov em entrevista à Gazeta Russa.

Em 8 de julho, o ativista recebeu um retorno que explicava os fenômenos observados pela desigualdade entre os trilhos em alguns trechos do percurso em questão, que, no entanto, segundo as autoridades, encontrava-se dentro da normalidade. Logo após o recebimento da carta, em 15 de julho de 2014, houve um acidente que levou vidas de 24 pessoas.

Dificuldades  

Na opinião dos especialistas entrevistados pela Gazeta Russa, os atuais meios de comunicação eletrônica destinados a estabelecer um contato entre a população e as autoridades da Rússia enfrentam dois principais problemas. Em primeiro lugar, apenas 60% dos residentes no país possuem acesso à internet. Além disso, uma grande quantidade de cidadãos ainda não considera os serviços virtuais uma maneira eficiente de resolver os seus problemas.

Anteriormente, os únicos métodos que os cidadãos tinham à disposição para exercer alguma influência sobre as decisões dos seus governantes consistiam na publicação de cartas endereçadas aos órgãos públicos e ministérios em jornais de livre circulação ou o envio de correspondência diretamente para os estabelecimentos públicos em questão. No entanto, a situação começou a mudar no período entre 2010 e 2012, marcado pelo auge da participação da população na vida política do país.

Em 2010, Aleksêi Naválni, um dos líderes de oposição, lançou um serviço virtual denominado de RosIáma e destinado a coletar imagens e informações sobre a localização de buracos nas estradas e vias do país disponibilizadas pelos usuários. Além disso, a plataforma passou a oferecer o preenchimento automático dos formulários de reclamação e o seu envio para o Departamento de Trânsito. A falta de retorno por parte do órgão previa o encaminhamento das queixas não respondidas para à Procuradoria Geral, estimulando as autoridades responsáveis a resolverem o problema.

O sucesso do RosIáma inspirou Naválni e a sua equipe de desenvolvedores na criação de plataformas parecidas que ganharam a preferência dos russos, tais como a RosJKKH (destinado a resolução dos problemas de condomínios), a RosPil (rastreamento de irregularidades nas licitações dos órgãos públicos), a RosVibori (detecção de irregularidades nas eleições) e a Máquina de Verdade (divulgação de infrações nas atividades profissionais de funcionários públicos e empresas estatais) .

Estado

Sem dúvida, o governo nacional notou a tendência e em 2013 criou a plataforma Rossiiskaia Obschestvennaia Iniciativa, disponibilizada no endereço. O serviço destina-se à criação de iniciativas civis que, segundo o presidente russo Vladímir Pútin, serão analisadas por uma das câmaras do parlamento do país assim que atingirem 100 mil votos de usuários a favor. Mais tarde, surgiu um site parecido destinado apenas aos moradores da capital russa, que fez com que a ideia espalhasse para outras unidades federativas do país.

Artiom Guerassimenko, ativista virtual e líder do movimento SocioBeg, acredita no poder das plataformas virtuais ativas, independentemente do seu criador, seja ele uma entidade pública ou particular.

"Os sites estatais permitem trazer resultados com uma velocidade maior devido aos recursos administrativos disponibilizados pelo governo. No entanto, os portais criados pela iniciativa privada são mais dinâmicos e atraem a população por meio das tecnologias inovadoras", explica.

 

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