Cosplay cresce na Rússia

A participação em festivais é apenas a ponta do iceberg para os recriadores históricos Foto: Artiom Jítenev/RIA Nóvosti

A participação em festivais é apenas a ponta do iceberg para os recriadores históricos Foto: Artiom Jítenev/RIA Nóvosti

Na última década se tornou particularmente popular na Rússia os passatempos que permitem a qualquer pessoa mergulhar em uma realidade diferente da que vivemos. São os cosplayers, roleplayers e recriadores históricos russos. A Gazeta Russa foi descobrir quem são essas pessoas que conseguem viajar no tempo ou se transformam em Harry Potter.

O cosplay –abreviação de Costume Play– começou a se desenvolver de um modo mais ativo na Rússia no final dos anos noventa. Os representantes deste movimento vestem o traje da sua personagem favorita e participam de festivais ou sessões de fotos. Alguns chegam ao cosplay através da sua paixão pelo animê, através dos amigos, há os que comprem os seus primeiros trajes na internet e outros que os confeccionem nas aulas de trabalhos manuais na escola. Se antigamente os trajes dos cosplayers russos estavam longe de serem perfeitos, hoje a Rússia já dá cartas nos padrões mundiais.

O que Anna, natural de Tcheboksar (a 601 km de Moscou), mais gosta no cosplay é a sociabilização e a possibilidade de atuar em palco. Como muitos outros cosplayers novatos, no início ela encomendava os trajes pela internet, mas logo começou a costurá-los. Ela acha que a maior dificuldade para um cosplayer é a atitude das pessoas que o rodeiam.

"Se andarmos de traje pela cidade, muitos vão apontar o dedo e rir. E se for um homem cosplayer, corre até o risco de levar uns tapas na cara de alguns valentões. Apenas as crianças gostam das roupas brilhantes e as mães gostam de fotografá-las junto dos cosplayers, como fazem com os palhaços", diz Anna.

Muitos cosplayers enfrentam a incompreensão até mesmo da família. Anna  conta que muitas vezes os pais condenam a paixão dos filhos e, por isso, alguns de seus amigos costuram secretamente os trajes e vãos escondidos participar dos festivais.

Nos últimos anos, a tendência dos cosplayers na Rússia tem se generalizado mais, e já são organizadas atividades em quase todas as grandes cidades do país. Além disso, este ano, adeptos russos conquistaram pela primeira vez o prêmio principal da World Cosplay Summit.

Viagem no tempo

Os participantes das recriações históricas se diferenciam dos cosplayers e roleplayers por seu amor à exatidão histórica. O movimento surgiu na Rússia no início dos anos noventa e rapidamente se tornou popular. Na reconstrução histórica existe todo um conjunto de atividades de várias escalas: desde realizações de torneios de cavaleiros até à completa recriação da batalha de Borodino. Os participantes de recriações históricas se esforçam por recriar não apenas a tradição das artes militares de uma época específica, mas também os trajes e utensílios do dia a dia dessa mesma época.

Há clubes que fazem reconstruções históricas da Rus (Rússia Antiga), por exemplo.

A maior parte do movimento dos recriadores históricos é formada por jovens com idades entre os 20 e 25 anos.

"Do período da Rússia Antiga poucas [roupas] chegaram até os nossos dias. Por isso, toda a reconstrução relacionada a esse período acaba sendo uma imagem coletiva", diz a integrante de um grupo.

A participação em festivais é apenas a ponta do iceberg para os recriadores históricos. A maior parte do tempo é dedicada à preparação –na procura de fontes fidedignas e na concepção e costura dos trajes. Praticamente todos os recriadores históricos fazem isso, mas, quando se trata de calçado, acessórios e joias, eles preferem encomendar de artesãos experientes.

Para o Artiom, natural de Arkhangelsk, a recriação histórica não é apenas a criação de um traje que chama atenção.

"Eu carrego comigo de 15 a 20 quilos de aço, de modo que os jogos, para mim, são principalmente as batalhas, é o som da cota de malha, é a batida da espada no escudo, é a defesa da nossa ‘cidade’ quando você está no alto da muralha e o rebolar pelas escadas abaixo quando você ataca uma outra cidade", diz este amante de batalhas.

Artiom, como muitos outros, estava ainda na escola quando leu um anúncio sobre o grande festival e quis então participar.

"É muito engraçado lembrar disso agora, quando passaram apenas algumas semanas depois que regressei dos jogos, aos quais fui pela primeira vez com minha esposa", completa.

 

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