“Recebo uma família ou duas. Com crianças”

Refugiados querem retornar à pátria, mas o mais provável é que mais compatriotas se unam a eles na Rússia Foto: Mikhail Mordassov

Refugiados querem retornar à pátria, mas o mais provável é que mais compatriotas se unam a eles na Rússia Foto: Mikhail Mordassov

Oferta de ajuda a ucranianos na Rússia é tão grande que associações especializadas em auxiliar imigrantes quase não têm demanda desses.

Com o fim do verão europeu, a Rússia se prepara para dias mais frios, e as temperaturas de setembro já caem para até 10 graus Celsius na capital. Sob um clima mais frio, os diversos pontos de coleta de roupas e alimentos para os refugiados ucranianos já não recebem mais vestimentas de verão e começamcampanhas para arrecadar agasalhos.

É o caso da página “Ajuda aos refugiados da Ucrânia”, uma das mais populares do gênero na principal rede social russa. A página foi criada pela associação “Céu Pacífico” (em russo, “Mírnoe Nebo”) e tem mais de 30 mil seguidores. 

Em Moscou, há também diversas tendas improvisadas diante das saídas de estações de metrô que recolhem material para refugiados internos e externos, enquanto as páginas na internet dedicadas a essa tarefa organizadas por russos se multiplicam dia a dia.

Em inglês, uma das que tem recebido atenção internacional é a Help Donbass People Relief, no Facebook. Ali, um grupo sem vínculos governamentais costuma publicar seus avanços, fotos das famílias que ajuda, de veículos abarrotados de mantimentos e agradecimentos a doadores do mundo todo que enviam recursos, sobretudo via PayPal.

Guerrear para reunir

“A crise ucraniana é um problema que reuniu um enorme número de pessoas, dos mais diversos credos. Há muitos voluntários recolhendo produtos alimentícios, roupas, dinheiro, e muitos estão abrigando as pessoas em suas próprias casas. Em cidades como Rostov, as pessoas abrigam pessoas completamente desconhecidas”, disse à Rádio Europa Livre a diretora da ONG “Migração e Direito”, Svetlana Gannushkina.

Uma das principais ativistas dos direitos humanos no país, ela diz que há tanta ajuda por parte de civis e do governo russo que o contigente de ucranianos recebidos por sua organização tem sido relativamente pequeno.

Nas redes sociais há publicações impensáveis no mundo com oferta de ajuda. Uma dessas, por exemplo, na página do Facebook “Save Donbass People”, traz os dizeres: “Meu tio está pronto para receber em sua casa uma ou duas famílias, com crianças. De qualquer cidade onde ocorram combates”. 

No último dia 9, a Igreja Ortodoxa Russa também abriu seus próprios locais de arrecadação e está focada em receber material para o inverno. Segundo sua assessoria de imprensa, a Igreja já doou 700 toneladas de alimentos e vestimentas para os refugiados ucranianos. 

A chegada do frio também deve contribuir para um aumento no número de refugiados do país na Rússia. Segundo Gannushkina, os refugiados querem retornar à pátria, mas o mais provável é que mais compatriotas se unam a eles na Rússia.

Fraudes

Com a onda de ajuda voluntária, porém, também surgiram grupos aplicando golpes em nome da caridade. No início de agosto, por exemplo, a página do Facebook “Save Donbass People” reportou que um cidadão ucraniano estava aliciando refugiados em um campo na cidade de Rostov, no sul da Rússia, elevando-os a Moscou para exercerem trabalho escravo. 

 

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