Chefe do metrô de Moscou é demitido após descarrilamento de trem

Serguêi Sobiánin, declarou que muito tem sido feito no metrô da capital russa nos últimos anos, incluindo a modernização dos trens, mas o acidente do dia 15 de julho anulou essas conquistas Foto: ITAR-TASS

Serguêi Sobiánin, declarou que muito tem sido feito no metrô da capital russa nos últimos anos, incluindo a modernização dos trens, mas o acidente do dia 15 de julho anulou essas conquistas Foto: ITAR-TASS

Para o prefeito da capital russa, acidente que causou 23 mortes anulou progressos feitos no transporte público da cidade.

O chefe do metrô de Moscou, Ivan Bessédin, foi demitido nesta terça-feira (22), uma semana após o descarrilamento de um trem do metrô, que causou a morte de 23 pessoas, informou a agência de notícias Interfax. Ele ocupava o cargo desde 2011.  

Ao anunciar a decisão, o prefeito de Moscou, Serguêi Sobiánin, declarou que muito tem sido feito no metrô da capital russa nos últimos anos, incluindo a modernização dos trens, mas o acidente do dia 15 de julho anulou essas conquistas. Excetuando-se atos terroristas, o acidente é o maior de toda a história do metrô moscovita.

"Nos últimos anos, o metrô mudou significativamente, foram lançadas novas estações e trens, e a administração regularmente apresentava relatórios sobre as novas realizações. Mas, como se viu, no que concerne à segurança, as coisas não estão tão bem", observa o analista de macroeconomia companhia de investimentos de Moscou UFS IC, Vassíli Ukhárski.

"O metrô de Moscou é a maior empresa de transporte da Rússia, com um enorme tráfego, e é óbvio que a pessoa que liderava a organização tinha muito poder", declarou o presidente do Centro de Comunicações Estratégicas, Dmítri Abzalov.

O antecessor de Ivan Bessédin, Dmítri Gaev, que chefiou o metrô da capital russa por 16 anos até 2011, demitiu-se depois de ser acusado de corrupção e abuso de poder. "Com a chegada de uma nova liderança no metrô foram gastas quantias significativas, e o transporte em geral se tornou uma das marcas do novo prefeito de Moscou", explica o especialista.

No lugar de Bessédin foi nomeado Dmítri Pegov, ex-chefe de administração da RZD, empresa russa de transportes ferroviários. Pegov foi responsável pelo lançamento da primeira rota ferroviária de alta velocidade da Rússia, entre Moscou e São Petersburgo.

"A principal tarefa do novo chefe é garantir o desenvolvimento do metrô, e não por acaso foi colocado o ex-gerente do programa de trens de alta velocidade Sapsan nesta posição", disse Abzalov. O lançamento do programa exigiu principalmente segurança, além da construção de trens de alta velocidade e sua instalação em um​a infraestrutura desgastada, que são, segundo o especialista, os mesmos problemas enfrentados pelo metrô de Moscou agora.

Transporte como prioridade

Logo que assumiu o cargo em 2011, o prefeito de Moscou estabeleceu como principal meta resolver os problemas de transporte da capital russa. Como resultado, Moscou lançou um programa de construção do metrô de grandes proporções. Até 2020, serão construídos mais de 160 km de linhas e 79 estações.

Para implementar o programa, em 2011 foi criada a empresa Mosinzhproekt. Antes, as obras de expansão do metrô eram feitas exclusivamente pela empresa privada Mosmetrostroi. A companhia não foi excluída da lista de empreiteiros e continua executando um grande volume de trabalhos de construção do metrô de Moscou.

À nova empresa foi imposta a tarefa de reduzir o custo da construção do metrô e o prazo de execução dos trabalhos. De acordo com a Mosinzhproekt, a utilização de tecnologias modernas permitiu reduzir o custo de construção de cada estação de 6,8 bilhões de rublos (US$ 194 milhões) para 4,5 bilhões (US$ 129 milhões). Foi feita uma economia de 250 bilhões de rublos (US$ 7,1 bilhões) no programa, cujo custo total é de 1 trilhão de rublos (US$ 28,6 bilhões). O valor economizado permite a construção de quase 50 km de novas linhas, disse a empresa ao portal RBTH.

Atualmente, a expansão do metrô usa a tecnologia espanhola de construção dos trilhos, quando, em vez de dois túneis, constrói-se um grande túnel com nove metros de diâmetro. A técnica substitui o método do metrô londrino, no qual o movimento dos trens ocorre em dois túneis diversos, exemplo que por muito tempo foi seguido pelo metrô de Moscou. Segundo cálculos da Mosinzhproekt, o método espanhol pode economizar até 30% do custo do projeto.

Para a construção das estações, a empresa decidiu trazer parceiros chineses. Em maio de 2014, as autoridades de Moscou assinaram um acordo de cooperação com a Corporação de Construção de Vias Férreas da China (CRCC) e com o Fundo Internacional da China. Acredita-se que as empresas chinesas vão participar da construção da nova linha de metrô leve em Moscou, num valor total de US$ 6 bilhões.

 

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