Casar com estrangeiro não indica desligamento da pátria

Nem todas as mulheres que encontram felicidade conjugal no estrangeiro abandonam a Rússia para sempre Foto: AP

Nem todas as mulheres que encontram felicidade conjugal no estrangeiro abandonam a Rússia para sempre Foto: AP

Uma pesquisa realizada pelo Centro Pan-Russo de Estudo da Opinião Pública aponta que 62% das pessoas considera ser possível continuar patriota mesmo se o cônjuge for estrangeiro.

“Quando tinha 37 anos, me mudei para a Alemanha com minha filha e meu marido russo”, conta Arina, cidadã russa, que pediu para manter incógnito o nome de família.  

“Meu marido era músico e queria fazer carreira naquele país. Dois anos após nossa chegada, nos radicamos em Berlim e começamos a dominar fluentemente o alemão. Mas acabamos nos divorciando. Decidi, então, ficar e viver na Alemanha por causa de minha filha”.

Através da internet, Arina conheceu homens alemães, até encontrar o novo marido.

Mas nem todas as mulheres que encontram felicidade conjugal no estrangeiro abandonam a Rússia para sempre.

Uma pesquisa realizada pelo Centro Pan-Russo de Estudo da Opinião Pública aponta que 62% das pessoas considera ser possível continuar patriota mesmo se o cônjuge for estrangeiro.

Algumas mulheres, passados alguns anos, regressam ao país acompanhadas da família. É o caso, por exemplo, de Maria, de Níjni Nóvgorod.

“Conheci o meu marido na Grécia, durante as férias. Nos correspondemos pela internet até que decidimos constituir uma família. Viajei para a Grécia para viver com ele. Foi lá que nasceu o nosso filho. Em 2008, com a crise econômica na Europa, ele foi despedido. Como era difícil arranjar outro trabalho, viemos para a Rússia. Hoje, estamos vivendo e trabalhando aqui e passamos as férias de verão na Grécia. O que interessa é casar com quem se ama, pouco importando se seja estrangeiro. Tanto faz o lugar onde se vive.”

Questões legais

Alla Lukitcheva, advogada especialista em Direito Internacional, da Ordem dos Advogados de Moscou, afirma que, geralmente, as mulheres russas não recorrem a serviços jurídicos quando casam com cidadãos estrangeiros.

“As mulheres que casam, por exemplo, com cidadãos do Egito, da Argélia, do Irã ou da Síria, não podem trazer com elas para a Rússia os filhos depois de se divorciarem. As legislações nacionais não permitem. As que optam por maridos europeus ou estadunidenses raramente verificam se eles têm cadastro criminal, dívidas ou capacidade de solvência. Por isso, algumas são obrigadas pelas instâncias judiciais a pagarem, de seu vencimento, parte das dívidas dos maridos”, resume Lukitcheva. 

 

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