Delegação brasileira vai a Moscou buscar formas de aperfeiçoar o ensino nacional

Atualmente, na Rússia, existem escolas com perfil artístico, técnico e físico-matemático, nas quais se inicia uma formação especial desde as séries iniciais Foto: RG

Atualmente, na Rússia, existem escolas com perfil artístico, técnico e físico-matemático, nas quais se inicia uma formação especial desde as séries iniciais Foto: RG

Grupo composto por 79 membros de sindicatos educacionais de dez estados do Brasil visitou Moscou para conhecer novas práticas na área do ensino secundário. De acordo com os visitantes, país pode compartilhar “valiosa experiência” na solução de problemas parecidos com os que existem no Brasil.

Nos salões do Instituto Estatal de Moscou de Relações Internacionais (Mgimo, na sigla em russo), autoridades russas realizaram palestras sobre o sistema de educação com base no exemplo de escolas locais. Também foram apontadas falhas, como a desproporcionalidade entre o elevado nível de educação e o ritmo de desenvolvimento econômico do país.

“O passado soviético exerceu uma influência significativa sobre o sistema de ensino. Mas cada modelo econômico e político deve ter o seu próprio sistema de formação de pessoal. Nossa tarefa agora é pegar o melhor do sistema soviético e adaptar às realidades contemporâneas”, diz Aleksêi Blaginin, chefe do Departamento de Normas de Ensino do Ministério da Educação e da Ciência da Rússia.

11 anos na escola

O ensino pré-universitário é dividido em quatro etapas: educação pré-escolar (de 0 a 2 anos), escola primária (a partir dos 6 anos), ensino médio (4 anos) e estudos finais (2 anos). Depois de terminar o nono ano, o aluno pode dar continuidade à educação na própria escola ou em uma instituição especializada de ensino médio. Após concluir os onze anos de estudo, os alunos prestam o Exame Federal Unificado e recebem diplomas do Estado. 

Essa discrepância, segundo Blaginin, será solucionada no decorrer da reforma da educação, o “que irá durar algumas décadas”. Paralelamente, os educadores brasileiros demonstraram disposição para cooperar ativamente, e propuseram aos pedagogos russos a criação de um complemento ao programa “Ciência sem fronteiras”, que já foi implementado na Rússia. 

“Podemos firmar acordos que permitirão que escolas russas e brasileiras compartilhem as suas experiências. Semelhantes relações já existem, mas apenas em nível de universidades”, declarou Oswaldo Tavares, diretor do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo.

“Precisamos dar uma oportunidade de estudo às pessoas com deficiência, fornecer educação pré-escolar para todas as crianças de 4-5 anos, aumentar o número de creches e formar mais professores para as escolas com um perfil técnico. Além disso, é preciso elevar gradualmente o nível geral da educação”, acrescentou José Augusto Lourenço, vice-presidente do sindicato.

Ensino X Realidade

Na opinião de Blaginin, um dos problemas básicos da educação russa é o fato de os alunos não saberem aplicar os conhecimentos obtidos na prática. “Pelos resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), ocupamos um nível pouco abaixo da média global. Hoje, não basta saber determinado conteúdo, é preciso saber utilizá-lo. A reforma em curso irá eliminar o desequilíbrio entre a teoria e a prática”, diz.

A reforma da educação também tem como objetivo individualizar a abordagem aos alunos de cada escola. “Se antes o objetivo básico era transformar as crianças em alunos adequados para a escola, agora, ao contrário, a escola deve ser confortável para as crianças, ela deve se focar no crescimento pessoal delas”, explica o chefe do Departamento de Educação na região sudeste de Moscou, Mikhail Slutch.

Atualmente, na Rússia, existem escolas com perfil artístico, técnico e físico-matemático, nas quais se inicia uma formação especial desde as séries iniciais. No plano da reforma está prevista a introdução da especialização nas séries finais de todas as escolas. Assim, o aluno poderá estudar suas matérias de interesse de forma mais aprofundada.

Aumento salarial

Os programas pré-escolares, muitos dos quais são utilizados em outros países, são o “orgulho do sistema russo de educação”, segundo Blaginin. Porém, o ensino fundamental e médio necessitam de mudanças significativas e  associadas aos novos padrões de formação de professores.

“Estamos planejando reduzir o número de faculdades de Pedagogia e incluir a matéria em outras instituições de ensino superior na qualidade de departamento complementar”, conta o chefe de departamento.

O governo também está mudando o esquema de remuneração dos professores, que estão, há 10 anos, incluídos em uma categoria profissional com nível salarial muito abaixo da média. “Nos últimos três anos, os salários dos professores moscovitas dobraram e chegaram a 2 mil dólares por mês”, aponta Slutch.

 

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