Russos apostam em milícias paramilitares para garantir a ordem

Em Moscou, já existem mais de 20.000 drujinniki Foto: Kirill Kalínnikov/RIA Nóvosti

Em Moscou, já existem mais de 20.000 drujinniki Foto: Kirill Kalínnikov/RIA Nóvosti

Lei recentemente aprovada pelo Parlamento russo estabelece a formação de unidades de “drujinniki”, uma espécie de polícia auxiliar, nas diversas regiões do país. Por mais que grande parte da população aprove o renascimento desses efetivos, não concorda com o uso de força, segundo pesquisa da Fundação “FOM”.

No início de abril, o presidente russo Vladímir Pútin assinou uma lei federal que determina o status jurídico de pessoas que integram grupos de proteção da ordem pública, busca e salvamento de pessoas desaparecidas. A lei é considerada o estatuto jurídico dos chamados drujinniki.

De acordo com uma pesquisa da Fundação FOM, 64% dos russos acreditam que as cidades precisam de tais grupos. “Os russos não se sentem 100% seguros com a polícia”, comenta o analista da fundação FOM, Kertman Grégori. “Além disso, essas milícias possuem um certo caráter nostálgico dos tempos soviéticos”, acrescenta. Esse de tipo de milícia já demonstrou papel ativo na segurança de grandes eventos públicos, como na Páscoa passada, por exemplo.

A nova lei determina que os drujinniki terão autoridade para checar documentos, inspecionar os pertences pessoais dos cidadãos e até mesmo realizar vistoria em carros, deter infratores e realizar prisões em flagrantes. A pesquisa da FOM mostrou que 55% dos russos não se importam em mostrar os documentos em uma blitz, mas são contra a inspeção de pertences.

Os autores da lei alertam, entretanto, que todas essas ações só poderão ser tomadas na presença de policiais ou a seu encargo. A polícia pode encarregar os drujinniki de várias formas, como regulação do trânsito, e até mesmo busca e apreensão de criminosos. Durante um ano, o voluntário a drujinniki também deverá realizar 36 plantões em delegacias de polícia.

A lei proíbe expressamente a participação dos drujinniki em atividades ou operações em que haja risco de vida ou saúde, e a polícia está proibida de compartilhar documentos secretos ou fornecer informações estatais ou de investigações secretas.

Defesa própria

Em Moscou, já existem mais de 20.000 drujinniki. “Quanto ao perfil dos cidadãos que se propõem a defender o Estado, vemos todos os tipos de pessoas”, conta o chefe de um dos esquadrões de Moscou, Ígor Abramov.

“Há que encare isso como um hobby, um desejo de experimentar um romance policial, e há quem entenda ser o exercício da cidadania. Mas nós não aceitamos o ingresso de qualquer pessoa como, por exemplo, ex-detentos”, diz Abramov.
Também estão surgindo grupos de drujinniki entre os estudantes de Direito de diversas regiões da Rússia. Segundo observadores nacionais, isso se deve ao crescimento de crimes entre os jovens com motivações raciais. Os alunos decidiram criar patrulhas nas universidades, bem como nas regiões adjacentes e alojamentos, para evitar este tipo de crime.

A maioria das pessoas que desejam se tornar drujinniki costuma compartilhar um motivo especial: foram direta ou indiretamente vítimas de ações criminosas.

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