Quem são os bandêrovtsi?

Ilustração: Niiaz Karim

Ilustração: Niiaz Karim

Um dos pontos-chave da guerra da informação entre Rússia e Ocidente na crise ucraniana é a liderança dos chamados bandêrovtsi, os "neonazistas" que compõem o novo cenário político da Ucrânia.

As autoridades revolucionárias do país, assim como os países ocidentais que as apoiam, rejeitam com as acusações.

O Estado ucraniano foi criado por bolcheviques de regiões muito diferentes. Durante bastante tempo, sua vida política foi determinada pela oposição de dois eleitorados aproximadamente iguais em número: o Ocidental, com a região central pendendo em favor, e o Sudeste.

A população dessas regiões é culturalmente distinta: na parte oriental, a língua russa domina por completo, enquanto na parte ocidental, a língua ucraniana é relativamente mais comum. Economicamente, essas regiões também são bastante diferentes: o Oriente é principalmente industrial e o Ocidente, agrícola.

O atual "EuroMaidan" foi construído principalmente por representantes das regiões ocidentais. Sua ideologia não pressupõe um consenso social com os representantes da parte oriental, tal como a ideologia do nacionalismo ucraniano, que é una e completa.

O nacionalismo ucraniano surgiu como ideologia nos primeiros trinta anos do século 20, e tem uma natureza semelhante à do nazismo alemão e a uma série de outras ideologias de extrema direita daquela época.

Isso explica sua extrema intolerância, a tendência para a ação política direta, a violência, a negação dos direitos das minorias.

Os nacionalistas ucranianos consideram necessário ter "mão de ferro" para construir a nação e oprimir severamente os elementos não ucranianos da sociedade. O problema é que esses são a maioria no país. Sua percentagem é considerável mesmo na região com maior número de falantes de ucraniano, a Galícia.

Tenta-se fazer uma distinção entre o nacionalismo ucraniano moderado e o radical, tal como se faz em outros países europeus. No entanto, no caso da Ucrânia, isso não se aplica. Todos os nacionalismos europeus evoluíram de "moderados", e só mais tarde adquiriram suas formas extremas. Aqui nasceu originalmente a ideologia extremista.

Segunda Guerra Mundial

Durante a Segunda Guerra Mundial atuava, principalmente no território da Ucrânia Ocidental, o Exército Insurgente Ucraniano, liderado por Stepan Bandera e seu braço direito, Roman Chukhevitch.

Os bandêrovtsi tinham uma relação difícil com as forças de ocupação alemãs, mas sempre partiram do princípio de que seu principal inimigo era a URSS. Essa abordagem estava condicionada pela ideologia do nacionalismo ucraniano, segundo a qual os principais adversários dos ucranianos seriam os "moskali" (chamamento depreciativo que os ucranianos dão aos russos, e que tem origem na palavra Moskva, que significa Moscou).

As atividades dos bandêrovtsi atingiram o ápice entre 1944 e 1945, e nos primeiros anos do pós-guerra, quando, no início da Guerra Fria, os serviços de inteligência britânicos e norte-americanos começaram a trabalhar com eles.

No entanto, em meados da década de 1950, a atividade de sabotagem se esgotou e muitos deles concordaram em passar para a vida civil pacífica. Depois da guerra, o próprio Bandera foi viver em Munique, sob a proteção da inteligência britânica. Ficou lá até 1959, quando foi assassinado pelo agente da KGB Bogdan Stachínski com uma pistola especial armada com uma seringa com cianeto de potássio.

Em abril de 2014, mais informações sobre a atividade dos bandêrovtsi vieram à tona com a abertura dos arquivos do Ministério da Defesa da Federação Russa. Esses documentos lançaram luz sobre a atividade do grupo no apoio logístico às forças de ocupação alemãs, bem como na realização de limpezas étnicas.

Além da aniquilação de judeus, os bandêrovtsi também matavam representantes de outros povos. Seu terror se voltava também contra os próprios compatriotas que não concordassem com a ideologia do nacionalismo ucraniano.

A Ucrânia pós-soviética do sudeste se distinguiu por todos esses anos da ocidental pelo fato de não ter um identidade ou ideologia própria. É por isso que, mesmo quando na liderança de Kiev se encontravam representantes do sudeste, toda a esfera da política social era deixada aos nacionalistas ucranianos da Galícia.

Assim, em se tratando da gestão do sistema educacional e da política de informação, tudo foi colocado sob uma tendência nacionalista única.

A nova geração de crianças ucranianas estudou com cartilhas que apresentam uma visão ultranacionalista da história do país. Na TV, a propaganda do nacionalismo radical ucraniano é frequente. Hoje, a Ucrânia colhe os frutos dessa política educacional.

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.