Movimentos radicais ganham espaço entre os jovens no país

Foto: Ricardo Marquina

Foto: Ricardo Marquina

Intolerância aos trabalhadores estrangeiros e extremismo religioso são principais fatores de agrupamento. Dificuldades sociais e falta de perspectiva são apontadas por especialistas como razões para participação em ações do gênero.

De acordo com pesquisas recentes, o nacionalismo se tornou o maior movimento radical entre os jovens na Rússia. Cerca de 15 mil pessoas de todo o país vêm demonstrando atitudes caracterizadas pela intolerância aos trabalhadores estrangeiros, sobretudo oriundos dos países da ex-União Soviética, e outras minorias étnicas.

“Esses grupos radicais de jovens são geralmente informais, que não se posicionam contra a legislação vigente nem criam organizações oficiais com o registro”, expõe Aleksandr Verkhovski, diretor do centro da análise de informação Sova. “São os grupos de cidadãos guiados por líderes ideológicos, que participam de ações agressivas sociais e políticas com certa frequência e cujo número real vai além dos números divulgados pelas pesquisas.”

Ucrânia como alvo

As atividades dos grupos radicais do país afetam, em grande parte, as minorias étnicas, sexuais e políticas. “A crise política entre a Ucrânia e Federação Russa provocou uma série de atos de agressão em relação aos ucranianos residentes no território russo, embora, por enquanto, não possamos considerar o presente fenômeno uma manifestação do radicalismo político”, afirma Vladímir Mukomel, especialista do Instituto de Sociologia da Academia de Ciências da Rússia

O segundo lugar entre os movimentos atuais, conforme a quantidade de membros, é ocupado pelo radicalismo islâmico. “Mas como não temos uma definição exata deste movimento, é impossível calcular o número exato dos seus adeptos. Além disso, existem grupos radicais ortodoxos que também estão recrutando jovens, mas nenhuma destas organizações propaga apenas ideias religiosas, sendo também criadas para os fins políticos”, acrescenta Verkhovski.

 

Além dos grupos nacionalistas e religiosos, também operam em território russo as organizações juvenis de esquerda relativamente pacíficos, tais como stalinistas, trotskistas e anarquistas, que divulgam as ideias de restruturação da sociedade de acordo com os princípios socialistas, baseados na criação de uma “nova União Soviética”. Verkhovski afirma, contudo, que, até hoje, não houve registro da participação desses movimentos em ações extremistas.

Quanto às torcidas violentas, o especialista não considera como uma tendência radical, pois, segundo ele, “são apenas cidadãos que procuram brigas e não se diferem dos vândalos”.

Perfil dos extremistas

“A maioria dos seguidores dos princípios radicais são jovens”, garante Mukomel, ao explicar que os principais motivos do fenômeno incluem não apenas a predisposição das novas gerações às manifestações maximalistas, mas também à sua sensibilidade à injustiça social e ao maior risco de pobreza e de desemprego.

“A juventude é um período de luta por mudanças na sociedade e de combate à injustiça”, afirma o especialista. “Porém, o principal alvo dos grupos radicais são jovens criados nos lares pobres e problemáticos, cuja maioria possui o nível de ensino médio e pouca experiência de vida.”

A sensação de falta de perspectiva, o baixo nível de instrução, a intolerância social e o culto dos valores materialistas são apontados por psicólogos como propulsores de teorias radicais que podem corresponder a qualquer ideologia política. “Uma visão é considerada radical se o seu conceito de transformação do mundo gera conflitos e rejeição por parte da maioria da população”, explica Verkhobski.

 

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