71% dos russos preferem “ordem” à democracia, revela estudo

Pesquisa revela que entrevistados não parecem ter mudado de opinião nos últimos quinze anos Foto: ITAR-TASS

Pesquisa revela que entrevistados não parecem ter mudado de opinião nos últimos quinze anos Foto: ITAR-TASS

Maioria dos entrevistados interpreta conceito de ordem como estabilidade política e econômica do país.

O Centro de Pesquisa de Opinião Pública de Toda a Rússia (VTsIOM, na sigla em russo) publicou nesta quinta-feira (3) um estudo indicando que os russos apreciam mais a ordem do que a democracia no país. Os russos tendem a descrever ordem como estabilidade e justiça, e não violação de seus direitos pelas autoridades com tal finalidade.

“Quando o assunto é política, 71% dos entrevistados acreditam que a ordem está acima de tudo, mesmo em detrimento de alguns princípios democráticos”, diz o documento publicado. Esse tipo de postura é tradicionalmente apoiada pelos afiliados aos Partido Comunista da Rússia, além de pessoas idosas.

“O fato mais curioso é que os entrevistados não parecem ter mudado de opinião nos últimos quinze anos”, dizem os especialistas do centro de pesquisa

O conceito de ordem, no entanto, é entendida de formas diferentes: 45% dos respondentes interpretam ordem como estabilidade política e econômica do país, 29% consideram que é o Estado de Direito, enquanto 20% deles acreditam que a ordem dá a todos a oportunidade de exercer os seus direitos jurídicos.

A pesquisa mostra que, hoje, uma em cada cinco pessoas acredita que os princípios democráticos devem ser rigorosamente respeitados, apesar de darem mais liberdade para “elementos destrutivos” na sociedade. Tal ideia é apoiada sobretudo por jovens em Moscou e São Petersburgo, onde 47% dos entrevistados disseram entender democracia como sinônimo de liberdade de expressão, imprensa e fé. Paralelamente, 24% disseram que o desenvolvimento econômico do país é parte essencial de qualquer democracia.

O centro de opinião pública revelou que o número de entrevistados que definem democracia como ordem e estabilidade ou eletividade de todos os altos funcionários diminuiu consideravelmente durante os últimos dez anos.

A pesquisa foi conduzida no início de março com 1.600 cidadãos em 130 cidades de 42 regiões russas. A margem de erro não excede 3,4%.

 

Publicado originalmente pela agência Itar-Tass

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