Governo criará loja para vender produtos feitos em presídios

Centro Internacional de Estudos Penitenciários estima a existência de 680 mil detentos no país Foto: RIA Nóvosti

Centro Internacional de Estudos Penitenciários estima a existência de 680 mil detentos no país Foto: RIA Nóvosti

Detentos produzem mais de 100 mil tipos de produtos, desde uniformes e sapatos a utensílios domésticos. Apesar dos benefícios gerados pela prática, não faltam denúncias de trabalho excessivo e salários irrisórios.

O Serviço Penitenciário da Rússia declarou na semana passada que irá criar uma loja para vender mercadorias produzidas por detentos. Em um comunicado oficial, o órgão anunciou que as agências governamentais irão estabelecer uma parceria com os fabricantes.

O chefe do departamento econômico e financeiro do serviço penitenciário, Oleg Korchunov, conta que os detentos produzem mais de 100 mil tipos de produtos, desde uniformes e sapatos a utensílios domésticos e móveis.

Os responsáveis não revelaram de que forma a receita oriunda da venda dos produtos será usada. No entanto, o Sberbank, maior banco do país, fornecerá crédito para financiar o empreendimento.

O Centro Internacional de Estudos Penitenciários estima a existência de 680 mil detentos nas prisões russas em 2013.

Trabalho X Escravidão

O trabalho na prisão é usado por governos ao redor do mundo para lucrar com a mão de obra de criminosos encarcerados. Mas a prática vem despertando controvérsia com as acusações de que os prisioneiros são forçados a trabalhar horas a fio por salários irrisórios.

A integrante da banda punk Pussy Riot, Nadejda Tolokonnikova, que foi libertada da prisão em dezembro passado, relatou abusos semelhantes na Rússia depois de cumprir quase dois anos de sentença.

Ao falar sobre a realidade nos campos de trabalho forçado, Tolokonnikova denunciou que os presos eram forçados a trabalhar 17 horas por dia, costurando uniformes de polícia em troca de 30 rublos (US$ 1) por mês.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow News

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