Dia da Memória do Holocausto é criado em Moscou

Museu Judaico conta a história do povo judeu Foto: ITAR-TASS

Museu Judaico conta a história do povo judeu Foto: ITAR-TASS

No dia 27 de janeiro foi oficialmente criado em Moscou, no Museu Judaico e Centro de Tolerância, o Dia Internacional da Memória do Holocausto. Para celebrar a data foi aberta a exposição do artista israelense Joseph Bau, que serviu de inspiração para a criação de um dos personagens do filme “A Lista de Schindler” (1993).

A história de uma vida é a história de milhões

Na Rússia, como no mundo inteiro, as vítimas do Holocausto são lembradas no dia da libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Mas foi no campo de Plaszow que o então polonês Joseph Bau viveu como prisioneiro, trazido do gueto de Cracóvia. A biografia de Bau é composta por várias histórias que dariam um filme. Uma delas, inclusive já foi filmada – tornou-se a base do roteiro de "A Lista de Schindler", de Steven Spielberg.

No campo de concentração,  Joseph trabalhava como escriturário e, paralelamente, fazia documentos falsos para os prisioneiros. Foi lá que conheceu a jovem com quem se casaria secretamente. Sua história de amor é dramática: após o casamento, a esposa foi transportada para o campo de extermínio de Auschwitz, de onde ninguém regressava vivo. Mas, por milagre, ela foi uma das poucas sobreviventes, enquanto o próprio Joseph acabou indo parar na lista de Schindler. Só muitos anos mais tarde é que ele viria a saber que inicialmente era a esposa Rebecca que tinha sido escolhida para entrar na lista, mas que ela havia pedido para o colocarem no seu lugar. Eles voltaram a se encontrar depois da guerra e se mudaram para Israel, onde começou um novo capítulo da vida do artista, que passou a fazer documentos falsos para a Inteligência israelense.

Ensinando tolerância

Na cerimônia que marcou o Dia Dia Internacional da Memória do Holocausto, o Museu Judaico e o Centro de Tolerância de Moscou receberam a visita dos embaixadores de Israel, da Holanda e de outros países, bem como de líderes religiosos ortodoxos, católicos e muçulmanos. "Os judeus costumam acender uma vela no dia em que alguém morre. E neste dia nós acendemos velas por todos aqueles mortos que não conhecemos. No total, 7.000 pessoas sobreviveram a Auschwitz e nós lembramos aqueles 300 mil soldados que deixaram suas vidas para chegarem até Auschwitz", disse Borukh Górin, membro da Federação das Comunidades Judaicas. Ele também propôs uma homenagem à memória daqueles que morreram durante o cerco a Leningrado, cujo 70º aniversário é comemorado neste mesmo dia.

O tema do Holocausto está diretamente relacionado com o tema da superação da intolerância, que se mantém bastante atual no mundo de hoje, incluive na Rússia. "A experiência judaica, como exemplo do surgimento do ódio em geral em relação a qualquer povo, é sempre atual", disse Aleksandr Boroda, presidente da Federação das Comunidades Judaicas da Rússia e diretor do Museu Judaico. Boroda explicou aos presentes que o Museu Judaico conta a história do povo judeu mas que o Centro de Tolerância combate não apenas a xenofobia. "A tolerância tem muitos lados: compreendemos bem o que significa tolerância racial, nacional ou religiosa, mas existe a tolerância familiar, a tolerância para com as pessoas com deficiência... Ou seja, o princípio do respeito mútuo deve ser cultivado dentro de nós".

Por meio de um acordo entre o museu e o Departamento de Educação de Moscou, os alunos das diversas escolas visitam regularmente o local, onde seguem programas educacionais especialmente preparados para eles. O centro também tem desenvolvido material pedagógico para a realização de aulas de tolerância nas escolas. Com o sucesso dainiciativa, o presidente da Rússia, Vladímir Pútin, autorizou a criação de outros 11 centros de tolerância na Rússia, com base no modelo de Moscou.

 

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