O que as pesquisas sociais nos ensinam sobre os russos

93% da população russa deseja, acima de tudo na vida, criar uma "célula de sociedade" feliz Foto: RIA Nóvosti / Mikhail Beznossov

93% da população russa deseja, acima de tudo na vida, criar uma "célula de sociedade" feliz Foto: RIA Nóvosti / Mikhail Beznossov

Para os russos a coisa mais importante na vida é a família. Em sua maioria, eles olham para o futuro com esperança de dias melhores, querem ter amigos leais, acreditam que é necessário ser vigilante e cauteloso nas relações com os outros, não se interessam pela aposentadoria, acreditam que ninguém poderá protegê-los de ataques terroristas e são cautelosos no que diz respeito aos EUA e à Europa.

Vida pessoal

Segundo uma pesquisa do Centro Nacional de Pesquisas da Opinião Pública (VTSIOM), 93% da população russa deseja, acima de tudo na vida, criar uma "célula de sociedade" feliz, 91% deseja ter bons amigos e 90% tem como objetivo ser honesto.

A pesquisa apontou que 65% dos russos comemoraram este Ano-Novo em clima positivo e 56% têm esperança de que o país irá melhorar. Enquanto isso, apenas um terço se prepara para enfrentar dificuldades em 2014. Os sociólogos notam que todos os anos o número de russos otimistas, que esperam do ano seguinte algo de bom e positivo, supera o de pessimistas.

De acordo com a Fundação de Opinião Pública (FOM), os russos são bastante desconfiados. Apenas um quinto da população diz confiar na maioria das pessoas, e três quartos acreditam que "é preciso ter cuidado nas relações".

Sociedade

As autoridades federais russas estão agora ativamente engajadas na modernização da legislação previdenciária. Pela primeira vez na história, os cidadãos têm a possibilidade de utilizarem como quiserem a parte do salário retirada para a aposentadoria. É preciso escolher: transferir os descontos da aposentadoria para um fundo de pensão privado ou deixá-los a cargo do Estado. Em caso desta última opção, o valor da aposentadoria final será várias vezes menor. As pesquisas de opinião dizem que apenas 17% dos russos se interessam verdadeiramente pela questão das aposentadorias. São em sua maioria pessoas entre os 35 e 44 anos, residentes em cidades médias e grandes e com salário alto. 44% dos russos pensam na aposentadoria de vez em quando e 39% dos participantes da pesquisa não têm qualquer interesse por este assunto. Quase metade dos russos quer que o Estado cuide da sua aposentadoria no lugar deles.

Os russos não se sentem vivendo em segurança: 63% duvida que as autoridades sejam capazes de protegê-los de ataques terroristas e 44% acredita que é impossível escapar do terrorismo. Os russos com maior sensação de segurança são os habitantes de Moscou e de São Petersburgo.

A maioria dos russos (62%) se interessa em saber como estão os preparativos para os Jogos Olímpicos de Sôtchi e um terço dos pesquisados (37%) admitiu "não saber quase nada sobre isso". Cerca de 30% planejam acompanhar as competições de patinação artística, 25%  querem ver as provas de biathlon, 23% as de hóquei e 16% pretendem assistir as provas de esqui. O desejo de assistir as Olimpíadas em Sôtchi foi manifestado por 61% dos russos, mas 54% deles dizem não ter essa possibilidade.

Os russos não perdoam a ficha criminal suja: 61% se opõe a que indivíduos que tenham cumprido pena sejam eleitos para cargos públicos. Mais categóricas neste aspecto são as mulheres (65%) e as gerações mais velhas (68%).

60% dos participantes estão dispostos a confiar apenas nas pessoas mais próximas, os demais consideram que até mesmo em seu meio mais próximo você precisa estar sempre alerta.

Outros países

Em relação à política externa, o instituto de pesquisa Centro Levada descobriu que nos últimos anos os russos adquiriram uma visão mais negativa dos EUA e da União Europeia. A visão negativa sobre os Estados Unidos aumentou de 23% em 2011 para 37% em 2013, e da União Europeia de 14% para 29%. Por outro lado, em relação à Ucrânia e a Belarus existe uma visão positiva e 64% dos pesquisados querem restabelecer relações diplomáticas entre a Rússia e a Geórgia.

O decano da Faculdade de Sociologia do Instituto de Pesquisa Científica da Escola Superior de Economia de Moscou, Aleksandr Tchepurenko, acredita que os russos têm um grande "fosso de valores" entre as pessoas que nasceram após o colapso da URSS e a população mais velha.

“Os jovens cresceram em um espaço vazio de valores, sem qualquer ideologia política, à qual o Estado está agora regressando gradualmente”, diz o sociólogo. “Neste aspecto eles estão livres de preconceitos. Essa população jovem, ao contrário da geração mais velha, não sente nostalgia pelo passado, pelo estilo de vida do Estado Soviético. Os jovens não se interessam em saber o que nesse tempo era ruim e o que era bom. Eles vivem e se orientam bem na tecnologia da informação.”

Quatro tipos da sociedade russa

No geral, e de acordo com Tchepurenko, os sociólogos de hoje assistem à divisão da sociedade russa em quatro tipos.  A primeira sociedade é a pós-industrial, a Rússia das duas capitais - Moscou e São Petersburgo. “Os cidadãos deste tipo seguem os valores ocidentais modernos, a sua vida não é muito diferente da vida da média europeia”, diz o especialista.

A segunda é a Rússia das megacidades industriais (Novosibirsk, Samara, Ecaterimburgo, Kazan, Volgogrado etc.), onde a vida humana segue as leis do mundo industrial.

A terceira é a chamada "pequena Rússia": a população rural que vive da agricultura de subsistência e pequenos subsídios sociais do Estado. Aqui, o mais vital para as pessoas não é tanto o dinheiro e bem-estar social, mas a opinião dos vizinhos, já que elas estão acostumadas a confiar apenas nestes últimos nas horas difíceis. E a quarta sociedade é a do Cáucaso, onde ainda subsiste um sistema de sociedade de clãs: a vida de cada indivíduo depende, acima de tudo, da decisão da família.

 

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