Governo estuda incluir educação financeira no currículo das escolas

Vários professores afirmam que não existe a necessidade de separar a Educação Financeira como uma disciplina independente Foto: RG

Vários professores afirmam que não existe a necessidade de separar a Educação Financeira como uma disciplina independente Foto: RG

O Estado quer aumentar a alfabetização financeira básica da população russa. Até agora, quase 50% dos russos ainda guarda o dinheiro em casa em vez de depositá-lo nos bancos.

O governo russo está estudando a possibilidade de incluir a disciplina de educação financeira na escolas. Não se trata de explicar conceitos complexos do mercado de ações, de opções ou contratos de futuros: os autores da iniciativa querem explicar as regras financeiras básicas para que os jovens se orientem no fluxo das informações financeiras.

Especialistas acreditam que a ignorância da população russa na questão é uma consequência do sistema econômico velho. Na União Soviética, não se questionava como  ou onde guardar o dinheiro. Já nos anos 1990, apareceram numerosas pirâmides financeiras, e muitas pessoas investiram e perderam dinheiro. Até hoje, muitos russos não têm confiança em estruturas financeiras.

De acordo com dados do Banco Mundial, 50% dos russos guarda o dinheiro em casa, embora o país tenha um sistema de seguro de depósitos desenvolvido. De acordo com Aleksandr Prutchenkov, professor do Departamento de Economia do Instituto de Moscou, no contexto da economia de mercado, surgiu a necessidade da criação de uma sociedade financeiramente competente, que pode se orientar entre produtos oferecidos pelas instituições financeiras.

A promoção de programas de educação financeira se tornou possível apenas com o apoio do Banco Mundial. Em 2009, o banco desenvolveu o conceito de um programa nacional. Em março de 2011, o Ministério das Finanças e o Banco Mundial assinaram um acordo de empréstimo de US$ 113 milhões para a implementação de um projeto conjunto na área da educação financeira.

A introdução da educação financeira nas escolas como uma disciplina separada é uma parte desse projeto e será lançada em todo o país. Primeiramente, o programa será introduzido em 8 regiões da Rússia: Moscou, República de Tartarstão, regiões de Altai, Krasnodar, Stávropol e Ástrakhan.

Se o experimento der certo, a educação financeira será incluída no programa educacional de todo o país em 2018.

"Esse curso é prático, ensina como alcançar a prosperidade econômica, como receber lucro, guardar e gastar os recursos financeiros corretamente", diz o professor da cátedra de Economia e Finanças da Academia Presidencial da Rússia de Economia Nacional e Administração Pública, Dmítri Nikoláiev. De acordo com ele, nas condições de uma economia de mercado, esses conhecimentos são necessárias desde a escola.

“Até hoje, os russos não têm formação financeira a nível de gestão de economia doméstica: guardam o dinheiro no travesseiro e não sabem o que fazer com ele”, completa Nikoláiev.

Vários professores afirmam que não existe a necessidade de separar a Educação Financeira como uma disciplina independente e de incluí-la no programa de educação básica, uma vez que esses assuntos são explicados nas disciplinas de Estudos Sociais e Economia. Muitas escolas em Moscou já têm centros de educação financeira que oferecem seminários, treinamentos e jogos para estudantes.                 

“Na nossa escola, o estudo de economia é opcional”, diz a diretora Svetlana Poruchikova. “Primeiro, explicamos a economia no contexto de família, região e cidade. Realizamos classes com materiais didáticos muito bem feitos. Todos gostam”, diz Poruchikova.

“Além disso, os nosso professores têm um uma permissão especial para ensinar essa disciplina. Acreditamos que os curso inicial de economia e de alfabetização financeira facilitará a vida dos nossos filhos, ajudará a evitar erros financeiros e a entender como pagar impostos”, completa Poruchikova.

De acordo com Prutchnkov, a maioria dos estudantes permanece economicamente ignorante. “Se todas as escolas ensinassem economia obrigatoriamente, não existiria a necessidade de introduzir educação financeira como uma disciplina separada”, diz.

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