Retrospectiva Russa 2013

Cientistas passaram meses recolhendo pedaços do corpo meteorito do fundo do lago Tchebarkul Foto: Geophoto

Cientistas passaram meses recolhendo pedaços do corpo meteorito do fundo do lago Tchebarkul Foto: Geophoto

De Snowden à lei antigay, ou de meteorito à tocha olímpica, relembre os fatos do ano que marcaram os russos e o mundo .

Desastres naturais

O primeiro aconteceu no começo do ano. Em fevereiro, a cidade de Tcheliábinsk, centro industrial nos Urais, foi atingida por um grande meteorito, cuja queda teve poder explosivo 30 vezes superior ao da bomba atômica de Hiroshima. As ondas do impacto quebraram as janelas de 7.000 edifícios, e mais de mil moradores foram feridos com estilhaços de vidro. Cientistas passaram meses recolhendo pedaços do corpo celeste do fundo do lago Tchebarkul.

Em agosto, a região do Extremo Oriente russo se viu coberta pela maior inundação das últimas décadas. Todas as grandes cidades nas margens do rio Amur foram afetadas, e o número total de vítimas chegou a 183 mil pessoas. Os danos da inundação foram estimados em US$ 1,3 bilhões. Apesar das consequências desastrosas, não houve relatos de morte em virtude das enchentes.

Sociedade dividida

O ano de 2013 foi marcado por uma onda de nacionalismo na Rússia. Isso porque, ao longo do ano, aconteceram três grandes momentos de conflito entre pessoas de etnia russa e imigrantes oriundos do Cáucaso e da Ásia Central.

A situação veio à tona sempre da mesma maneira: começou com um assassinato por uma causa banal, seguido de manifestações dos moradores locais e terminou em ataque às pessoas das etnias em questão. O mais expressivo dos três aconteceu em Biriulovo, um dos bairros periféricos de Moscou.

Reabertura do Mariínski

O principal evento cultural do ano na Rússia foi a reabertura, em maio, do novo palco do Teatro Mariínski, em São Petersburgo. Desde os tempos do Império, este continua sendo um dos dois principais teatros do país.

Universíada, Atletismo e Sôtchi-2014

Em julho, a cidade de Kazan, capital do Tatarstão, sediou os jogos universitários internacionais – Universíada. Com quase 12 mil participantes de 162 países, o anfitrião conseguiu abocanhar o maior número de medalhas e recorde de pontuação do campeonato.

O Campeonato Mundial de Atletismo, em Moscou, também contou com grande presença russa no pódio: foram sete ouros, quatro pratas e seis bronzes. Apesar do impressionante e vitorioso salto com vara de Elena Issinbaeva, a declaração infeliz da bicampeã olímpica em apoio à chamada “lei antigay” foi alvo de muitas críticas.

Em novembro, começou a corrida de revezamento da tocha olímpica, que chegará a Sôtchi em fevereiro de 2014. A tocha já passou muitos locais do país e deu até uma passada pela Estação Espacial Internacional.

Políticas polêmicas

Do ponto de vista da política interna, o ano será lembrado sobretudo pela aprovação da lei que proíbe a propaganda gay entre os menores. Quem promover relações sexuais não tradicionais na Rússia será punido com multas que podem chegar a mais de 30 mil dólares.

Os cidadãos russos, no entanto, focaram mais na chamada “nacionalização das elites”, segundo a qual os servidores do Estado e os deputados devem se livrar de bens fora das fronteiras do país. Além disso, pela primeira vez desde 2004, a Rússia voltou à eleição direta de governadores regionais.

Nouveau russe

Em janeiro, o ator francês Gérard Depardieu recebeu a cidadania russa, bem como oferta para se tornar ministro da cultura de uma das repúblicas nacionais, a Mordóvia. A mudança aconteceu porque ele estava indignado com a introdução de um imposto na França, com taxa de 75% sobre a renda. Na Rússia, essa taxa é de apenas 13%.

Solteirice de Pútin

Apesar de rumores antigos, a oficialização do divórcio do presidente russo Vladímir Pútin foi uma surpresa para todos. A sociedade reagiu de forma ambígua à decisão do chefe de Estado, mas, em geral, os índices de aceitação permaneceram elevados. Vladímir e Ludmila Pútina anunciaram a separação em 6 de junho, ao saírem do Palácio do Kremlin, onde tinham ido assistir ao balé “Esmeralda”. “Foi uma decisão conjunta. O nosso casamento acabou, e nós praticamente já não nos vemos”, disse ele.

Escândalos internacionais

O ex-agente do serviço de inteligência norte-americano Edward Snowden ficou escondido na área de trânsito do aeroporto Cheremetievo, em Moscou, depois de denunciar um esquema de vigilância internacional promovido pelos EUA. A decisão das autoridades russas de dar asilo a Snowden piorou as já difíceis relações entre o Kremlin e a Casa Branca.

Em setembro, um navio do Greenpeace, o Arctic Sunrise, foi confiscado por guardas fronteiriços russos durante ação de protesto perto da plataforma petrolífera Prirazlomnaia, no mar de Pechora. Os ambientalistas foram inicialmente acusados de pirataria, mas depois as acusações foram atenuadas para vandalismo. Os ambientalistas ficaram presos por quase dois meses e aguardam agora assinatura da anistia que os livrará da acusação e permitirá que deixem o país.

Diplomacia do bem

Apesar dos escândalos, os principais sucessos da Rússia em 2013 estão precisamente na área de política externa. Uma grande alavanca para o país foi a cúpula do G20 em São Petersburgo, na qual se discutiu não apenas a questão síria, mas também foram tomadas decisões importantes para o desenvolvimento da economia mundial. A principal conquista russa foi na superação da crise em torno das armas químicas na Síria. A iniciativa de Moscou permitiu a Damasco evitar um ataque militar dos EUA e seus aliados.

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