Pais se preocupam com queda do nível de ensino no país

Escolas russas costumam focar apenas nos assuntos testados em exame no final do ensino médio Foto: RIA Nóvosti

Escolas russas costumam focar apenas nos assuntos testados em exame no final do ensino médio Foto: RIA Nóvosti

Currículo escolar focado em Exame Unificado e falta de padrão educacional comprometem aprendizado na Rússia. Colocação desprivilegiada em programas internacionais é reflexo de má qualidade do ensino, alegam especialistas.

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) é a mais objetiva avaliação de desempenho dos estudantes. A cada três anos, esse exame testa estudantes na faixa de 15 anos de idade e, em sua última edição, 74 países foram englobados na pesquisa. Em média, os estudantes russos não demonstram resultados acadêmicos elevados.

O teste avalia a capacidade dos alunos compreenderem textos escritos, aplicarem os conhecimentos matemáticos na prática e aplicarem o conhecimento científico. Pelos indicadores, desde 2003, a Rússia permanece no intervalo entre o 30° e 41° lugar. Apesar dos indicadores terem apresentado uma melhora em 2012, ainda é muito grande a distância em relação aos líderes China, Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong e Japão.

Na sociedade russa, existe a percepção de que o ensino na União Soviética ocupava um nível muito alto. Na época, vigorava um sistema educacional que, seguindo os preceitos dos iluministas franceses do século 18, tentava oferecer a mais completa formação acadêmica. Esse sistema operava não só na escola, mas também nos meios de comunicação. As estações de rádio transmitiam música clássica, óperas e balés eram apresentados na televisão. Na década de 1990, o sistema de ensino se libertou do Estado, e os padrões para o ensino médio deixaram de existir.

Além da falta de padrão, muitos professores citam a introdução do Exame Federal Unificado (EFU), em 2009, como um dos pontos negativos do ensino atualmente. Iúri Latichev, professor de Uliánovsk e autor de livros sobre pedagogia, afirma que antigamente os alunos estudavam História seguindo um programa completo, mas agora estudam apenas as partes necessárias para responder às questões do EFU.

“Em breve nós iremos perceber a falha”, diz. “Estamos diplomando pessoas com uma formação deficiente. Com bastante frequência, conhecimentos indispensáveis não constam das questões do EFU e, por isso, os alunos passam por eles sem notar.”

Porém, a chefe do Laboratório da Universidade de São Petersburgo, Ludmila Iasiucova, associa a queda do nível educacional com o baixo nível do pensamento conceitual. Isto é, a capacidade de distinguir aspectos essenciais, estabelecer relações de causa e efeito, e subdividir um material em categorias.

“Antigamente, começava-se a estudar Botânica e História desde o quinto ano. Agora, no quinto ano, as Ciências da Natureza são estudadas em forma de histórias sobre a natureza, sem qualquer lógica”, explica.

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