Mulheres de negócio ainda enfrentam dificuldades para ocupar altos cargos

Somente algumas poucas mulheres conseguem alcançar os altos postos Foto: Getty Images/Fotobank

Somente algumas poucas mulheres conseguem alcançar os altos postos Foto: Getty Images/Fotobank

Na Rússia, maior número de mulheres em cargos de direção trabalha na área de serviços e no setor financeiro. Nessas esferas, elas ocupam a função de diretor-geral em 25% dos casos.

As mulheres são a maioria na base de qualquer empresa de grande porte da Rússia. Enquanto elas executam o trabalho, os homens, quase sempre, estão no patamar de cima. Apesar da emancipação ter dado um salto significativo, a sociedade russa acabou não alterando a sua orientação patriarcal. É verdade que cada vez mais as mulheres estão abraçando as ocupações tradicionalmente masculinas: prestam serviço militar, pilotam aviões e consertam motores de carros, mas, para elas, a escalada em direção ao progresso na carreira é muito mais espinhosa e de difícil acesso.

Após terminar a universidade, Elena Kuznetsova procurou trabalho em sua área de atuação por cerca de sete meses. No diploma constava: “restauradora de monumentos arquitetônicos em madeira e de artefatos de madeira.”

 “Soa bonito, mas na prática este trabalho inclui elementos do ofício de carpinteiro:  lixar, aplainar. Mas os chefes (eram sempre homens) que me entrevistavam supunham que eu dificilmente conseguiria dar conta desse tipo de trabalho”, reclama Elena.

Em uma das firmas, Elena teve a sorte de encontrar um gestor que frequentemente ia para a Europa a trabalho e que havia conhecido na Itália uma excelente carpinteira. "Fiquei feliz por finalmente ter achado um chefe que se mantinha afastado dos padrões estereotipados", conta Elena.

Mas logo a alegria foi substituída pelo desapontamento. Apesar da grande carga de trabalho e de sua evidente eficiência, Elena não conseguiu subir sequer um degrau da escada que levava à progressão na carreira. Ao longo dos quatro anos de trabalho, o cargo de chefe de departamento ficou vago três vezes, sempre ocupado por colegas homens. Como se revelou mais tarde, o salário que eles recebiam também era maior.

"Comecei a refletir: será que temos em nossa empresa alguma mulher que seja chefe? Havia duas, uma secretária que dirigia um exército de assessoras dos gerentes e uma contadora. Todos os outros cargos de chefia eram ocupados por homens. Tal situação me deixou sem chão por muito tempo. Tive vontade de procurar outro emprego.” Mas, em vez disso, Elena saiu em busca de mais uma formação superior a fim de aumentar a sua competitividade no mercado de trabalho.

"Antigamente, as mulheres podiam competir apenas entre si e faziam isso mais frequentemente por causa dos homens. Elas tinham duas opções: se casar com um homem que trouxesse status ou, inicialmente, ajudar os seus maridos a fazer carreira. Entre as pessoas de seu convívio, todos sabiam quem realmente comandava a situação, mas oficialmente, é claro, o chefe era o homem", explica Aleksandr Tarasov, diretor do Centro da Nova Sociologia e do Estudo da Prática Política Phoenix.  As mulheres utilizavam todos os meios para conseguir impulsionar as carreiras de seus maridos.

Atualmente as mulheres ganharam a chance de construir a sua própria carreira, mas na luta contra os homens pelo cargo de chefe elas são obrigadas a trabalhar de uma forma duas vezes mais ativa.

Somente algumas poucas mulheres conseguem alcançar os altos postos. Assim, por exemplo, 97% do corpo de ministros é constituído por homens, que também ocupam mais de 90% dos assentos no Parlamento, dos cargos de diretores de corporações, chefes de departamentos e reitores de universidades. As exceções são aquelas profissões onde as mulheres competem pelo cargo entre si. O maior número de mulheres em cargos de direção trabalha na área de serviços e no setor financeiro. Nessas esferas, elas ocupam a função de diretor-geral em 25% dos casos.         

Na disputa com os homens pelo cargo de chefe, as mulheres ainda têm mais um ponto fraco que torna a sua missão praticamente irrealizável. Quase sempre elas se deparam com a seguinte escolha: a família ou a carreira. O nascimento e a educação dos filhos exigem tempo e esforço, e a maioria das mulheres, ainda hoje, escolhe a família.

"Se ela não conseguiu assumir um cargo de direção antes do nascimento do seu filho, depois será mais difícil de obtê-lo. Porque a função de dirigente esgota, altera psicologicamente a pessoa de tal modo que até os seus parentes não conseguem mais reconhecê-la. Como regra, as mulheres de negócios são divorciadas, mantêm relacionamentos fora do casamento, trazem os seus filhos em rédeas curtas. Para elas, encontrar um parceiro é muito mais difícil do que para as mulheres comuns. As exigências em relação aos homens são outras, há requisitos intelectuais e emocionais. O homem ‘médio’ não combina com elas tanto devido à questão de status, quanto pelas convicções interiores. Mas todas elas querem ter sucesso também na vida pessoal",  revela Aleksêi Polevoi, professor do Instituto de Psicanálise da Universidade Estatal de Moscou.

Além disso, nem todo o marido é capaz de apoiar sinceramente a esposa que luta para alcançar as alturas, destinando todo o seu tempo e a sua força ao trabalho. Os homens russos nem sempre estão dispostos a aceitar uma posição de superioridade da mulher no âmbito da família.

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