Moscovitas aderem à moda de fazer pão em casa

Em Moscou, há lojas que vendem farinha e levedura de padeiro Foto: Lori / Legion Media

Em Moscou, há lojas que vendem farinha e levedura de padeiro Foto: Lori / Legion Media

Baixa qualidade das panificadoras obrigam moradores da capital a botar a mão na massa. Mudanças culturais também se refletiram na fabricação de pães, garante especialista.

Iúlia ficou sabendo das maravilhas de fazer pão em casa pelos companheiros de trabalho. Depois de comprarem máquinas elétricas de fazer pão, eles discutiam acaloradamente no trabalho sobre as vantagens do aparelho. “Primeiro, não queria comprar, mas depois meu marido me convenceu”, diz a moscovita.

“O pão continua macio durante toda a semana e não embolora rapidamente como o da padaria. Antes os nossos filhos nem comiam pão, mas agora aderiram”, continua Iúlia. A única desvantagem apontada por ela é o fato de o pão feito em casa ser mais caro do que o da padaria. “Mas mesmo o pão feito com farinha barata é mais saboroso do que o adquirido no mercado.”

Mão na massa

Em Moscou, há lojas que vendem farinha e levedura de padeiro, bem como os demais ingredientes necessários para fazer pão em casa. Para os mais preguiçosos, há até saquinhos com mistura, aos quais basta misturar água e levar ao forno. Quem tiver feito tal experiência, arranja tempo para cozer pão em casa ou procura boas padarias, garantem as adeptas da nova prática. “Em Moscou, são muitos os pequenos cafés que vendem pão de qualidade. Pena é que fiquem todos no centro da cidade”, diza Svetlana.

Outra moscovita, chamada Anna, acredita que, como a fabricação de pães não é regulamentada, as padarias são avaliadas apenas pelos consumidores. “Não se pode fazer pão saboroso com farinha de qualidade inferior, e isso acontece. Por exemplo, a farinha pode ter sido feita depois de cereal ter estado armazenado em más condições”, diz ela.

Apesar das denúncias, um levantamento do jornal “Moskovski Komsomolets” demonstrou que o pão comprado nas padarias de Moscou respeita as normas legais, e os especialistas do centro de pesquisa independente Rostest concluíram que “os índices verificados das amostras analisadas estão conforme a documentação normativa”.

Sabor do passado

Segundo os especialistas, os fabricantes de hoje em dia empregam aditivos e intensificadores de sabor que modificam a qualidade do pão. Porém, no passado, toda a panificação obedecia a um padrão estatal único.

“Junto das panificadoras, existiam laboratórios que velavam pela qualidade do pão”, afirma Iúri Katsnelson, presidente da Ordem dos Padeiros e Pasteleiros da Rússia. “Hoje, quase todo os negócios de pão são privados, de modo que o fabricante responde pela qualidade não perante o Estado, mas para o cliente.”

O controle da qualidade do pão é de responsabilidade da Rospotrebnadzor (Agência de Vigilância Sanitária da Rússia), mas são os padeiros que redigem e estipulam os parâmetros técnicos da sua própria produção.

A concorrência entre os fabricantes de pão é muito pequeno, pela grande quantidade de panificadoras. “Moscou tem entre 400 e 450 pequenas e grandes panificadoras para mais de 10 milhões de habitantes, enquanto em 1917 havia 800 padarias para 2 milhões de moscovitas”, diz Katsnelson.

Na opinião do líder da Ordem dos Padeiros, outro fator que influencia negativamente a qualidade da produção é a escassez de bons profissionais. “Na capital não existem centros de formação de padeiros e já apresentamos esse problema ao governo”, diz ele.

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