Mercado nacional de tabaco cai 5% em 2013

Até o momento, a lei proíbe o consumo de cigarros em escolas, hospitais e instituições do governo Foto: PhotoXPress

Até o momento, a lei proíbe o consumo de cigarros em escolas, hospitais e instituições do governo Foto: PhotoXPress

Aumento do imposto sobre derivados de tabaco e lei que proíbe fumo em ambientes públicos prometem acentuar queda no ano que vem. Fabricantes alegam que índices representam apenas mercado legal, mas fumantes buscam produtos contrabandeados para compensar a alta dos preços.

A Rússia é o quarto país do mundo em número de fumantes, segundo estudo da Organização Mundial de Saúde. Porém, as medidas recentemente tomadas pelas autoridades, incluindo o aumento do ISC (imposto seletivo ao consumo) sobre os cigarros, devem contribuir para a diminuição de 5% no número de fumantes no país, garantem os especialistas.

Nos últimos dois anos, a taxa do ISC sobre os cigarros e bebidas alcoólicas dobrou e, até 2015, deve aumentar em mais duas vezes. “O aumento dos impostos ajuda a combater o tabagismo e alcoolismo. Afinal, cigarros e álcool não são bens vitais e podem ser deixados de lado”, diz Esben Tranhom Nielsen, consultor de negócios do Ministério da Agricultura e Alimentação da Dinamarca.

Outra medida antitabagismo que vem gerando resultados positivos é a lei federal que proíbe a fumar em locais públicos fechados. A medida entrou em vigor em junho deste ano e já surtiu efeito junto aos fabricantes de cigarros. Nos nove primeiros meses de 2013, a produção de cigarros diminuiu 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado, e a previsão é que o mercado do tabaco diminua até 11% em 2014.

Rússia em números

4° país do mundo em número de fumantes 

2.786 cigarros consumidos por fumantes ao ano

Mercado legal de tabaco em 2013 é até 8% inferior em relação ao ano passado

Previsão é que o mercado do tabaco diminua até 11% em 2014

Até o momento, a lei proíbe o consumo de cigarros em escolas, hospitais e instituições do governo, mas, a partir de 2014, a proibição será estendida a cafés e restaurantes. Alguns estabelecimentos de alimentação, como a rede de bares “Dorogaia, ia perezvoniu”, já tomaram iniciativa por conta própria sem esperar por leis especiais. “O cheiro a cigarro deixa as papilas gustativas insensíveis”, explica o gerente da rede Aleksêi Sávin.

Exemplo brasileiro

As organizações não governamentais focadas no setor de saúde demonstram otimismo. “O aumento de 10%  nos preços dos artigos de tabaco fez com a demanda por cigarros nos países da Europa Oriental caísse entre 3% a 13%. Para 11,5% dos fumantes iniciantes, o alto preço dos cigarros foi um argumento suficiente para desmotivá-los a fumar”, diz Renat Laichev, presidente da ONG “Crianças da Rússia saudáveis e educadas”.

Segundo Laichev, os resultados iniciais podem parecer insignificantes, mas, com o tempo, as medidas antifumo começam a se refletir na sociedade. “Quando o Brasil aprovou leis antifumo para lutar contra o tabagismo, os primeiros resultados também eram modestos. Apenas 2% dos fumantes desistiram do tabaco. Hoje em dia, esse número aumentou para 8%”, adianta.

Balança do contrabando

As empresas de tabaco não estão tão confiantes sobre as perspectivas da lei. Segundo o diretor de comunicações da Japan Tobacco International na Rússia, Anatóli Verechaguin, o aumento do ISC sobre os cigarros pode levar os clientes a comprarem cigarros falsificados ou contrabandeados. “Essa é uma das causas do aumento para 6% da fatia correspondendo a produtos contrabandeados no mercado russo”, aponta.

Essa opinião é compartilhada por Aleksandr Bat, diretor de relações corporativas da BAT (British American Tobacco) Rússia, para quem a alta dos preços dos artigos de tabaco não contribui para a diminuição do número de fumantes.

“A principal causa do declínio no consumo de produtos legais é o aumento dos preços. Somente nos últimos sete anos, o ISC sobre os cigarros aumentou seis vezes”, diz Bat. Desse modo, embora estatísticas mostrem a redução da demanda no mercado do tabaco, o número de fumantes se mantém inalterado, pois parte deles começa a usar produtos ilegais.

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