Maioria dos russos apoia educação sexual nas escolas

Ouvidor justificou que literatura russa é "melhor educação sexual" para crianças Foto: ITAR-TASS

Ouvidor justificou que literatura russa é "melhor educação sexual" para crianças Foto: ITAR-TASS

Contrariando posição de autoridades, cidadãos prezam pela informação para evitar epidemia de HIV.

A maioria dos russos acredita que as escolas devem oferecer aulas de educação sexual, de acordo com nova pesquisa realizada pelo instituto independente Centro Levada.

As escolas russas não incluem educação sexual como parte sistêmica do currículo, que é considerado um fator importante para conter a epidemia de Aids que se desencadeou na Rússia desde o colapso da União Soviética.

Vinte e quatro por cento dos entrevistados disseram que a educação sexual era “definitivamente necessária”, enquanto outros 40% afirmaram ser “provavelmente necessário”.

Dezoito por cento pensam que seria provavelmente desnecessário aplicar tal medida, e 7% acreditam ser “completamente inútil”, conforme pesquisa publicada na segunda-feira passada (2).

As conclusões da pesquisa parecem ir contra a corrente do crescente clima conservador promovido ativamente pela Igreja Ortodoxa, que manifestou oposição à educação sexual.

O ouvidor da vara infantil Pável Astakhov disse em setembro não acreditar que os adolescentes devem ser ensinados sobre saúde sexual na escola e alegou que a literatura russa é “a melhor educação sexual que existe”.

A pesquisa foi realizada em meados de novembro com 1.600 pessoas de 45 regiões russas.

Na mão de cada um

A pesquisa do Centro Levada também abordou atitudes em relação ao aborto. A Rússia teve a maior taxa de aborto no mundo entre todos os países incluídos no relatório Política Mundial de Aborto 2013, produzido pela ONU.

Um pouco mais da metade dos entrevistados disseram se opor à proibição total do aborto, enquanto 28% concordam com a afirmação de que o aborto é uma espécie de assassinato legalizado e não deveria ser permitido em nenhuma circunstância.

Quanto à questão polêmica da barriga de aluguel, que a deputada Elena Mizulina sugeriu proibir no mês passado, 50% dos entrevistados disseram acreditar que o ato é aceitável, enquanto 34% discordaram da posição.

Contrariando décadas de queda de crescimento demográfico na Rússia, 14% dos entrevistados disseram que “as pessoas devem ter quantos filhos Deus lhe der”, sem recorrer a contraceptivos ou aborto, enquanto 77% sugeriram o planejamento familiar.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow News

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