Falha do piloto é apontada como possível causa de queda do Boeing 737

Incêndio gerado por explosão só foi contido na manhã seguinte ao acidente Foto: AP

Incêndio gerado por explosão só foi contido na manhã seguinte ao acidente Foto: AP

Queda de Boeing 737, da companhia Tatarstan Airlines, deixou 50 mortos no último domingo (17). Comitê de Investigação da Rússia aponta falha do piloto e problemas técnicos como possíveis causas do acidente.

De acordo com um representante do comitê, Aleksandr Poltinin, o Boeing 737 caiu em posição quase vertical entre a pista de pouso e decolagem e a faixa de circulação de aeronaves. O incêndio causado pela explosão dos tanques de combustível só foi controlado pela equipe de resgate na manhã do dia seguinte.

Os motivos pelos quais o piloto decidiu desistir do pouso na primeira tentativa ainda precisam ser esclarecidos, informou Poltinin à agência Ria Nóvosti, esquivando-se de comentários sobre os supostos avisos de problemas técnicos repassados para a equipe terrestre.

A investigação dos controladores de tráfego aéreo que acompanhavam a circulação do avião já foi realizado. Em entrevista ao vivo para o canal Rússia 24, um dos controladores responsáveis pela aeronave, Kirill Kornichin, declarou que um dos pilotos expressou a intenção de efetuar a segunda tentativa de pouso. “Ele explicou que a configuração do avião não era correspondente à configuração de pouso. Forneci a sequência padrão e recebi a sua confirmação”, disse ele. “O piloto iniciou a segunda volta, mas não conseguiu completá-la. Tudo aconteceu muito rápido, em apenas alguns segundos.”

O Comitê de Investigação coletou amostras de combustível e graxa no aeroporto de Moscou, onde o avião decolou, e reteve a documentação da companhia aérea relacionada ao desempenho da aeronave e à preparação dos pilotos para o voo. Os registradores de voo foram encontrados apenas na parte da manhã do dia seguinte na cratera criada pela queda do avião, mas ainda não foram divulgados detalhes.

Os corpos de todos os 50 passageiros já foram identificados no local da tragédia, incluindo Irek Minnikhanov, filho do presidente da República do Tatarstão, e Aleksandr Antonov, chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia.

Falha dupla?

Em entrevista à agência de notícias Interfax, uma fonte no Comitê de Gerenciamento para Situações de Emergência declarou que o acidente pode ter sido causado por “falhas mecânicas na asa e potência dos motores insuficiente para a segunda tentativa de pouso”.

Porém, o vice-diretor do Comitê de Transporte da Duma Federal (câmara baixa do Parlamento russo), Aleksandr Starovoitov, sugere que o acidente foi causado pela falta de preparo dos pilotos, que não conseguiram efetuar o pouso do avião. Essa opinião também é compartilhada por Oleg Beli, presidente do Instituto de Problemas de Transporte da Academia de Ciências da Rússia.

“A nossa frota de aeronaves foi alterada, mas os pilotos continuam aprendendo nos simuladores fabricados em território nacional. As companhias aéreas não têm os próprios centros de treinamento para os pilotos, elas preferem contratar os especialistas já formados. Mas não podemos esquecer que em vez de Boeing, eles foram ensinados a pilotar os aviões russos Tupolev”, explica Beli.

Problema antigo

Apesar de não descartar a possibilidade de inexperiência dos pilotos, o presidente da Comissão de Aviação Civil, Oleg Smirnov, destaca o controle inadequado no setor de aviação civil da Rússia. “Em 2011, fomos um dos países com maior número de acidentes aéreos acontecidos no nosso território. A situação melhorou em 2012, mas, em 2013, já temos dois casos de acidente”, diz o especialista.

Segundo Smirnov, os certificados são emitidos pelos órgãos que também são responsáveis pela investigação de acidentes aéreos. “Na maioria dos casos, a culpa é atribuída aos pilotos que já perderam as suas vidas, portanto, as soluções para os problemas recorrentes acabam de nunca serem encontrados”, acrescenta.

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