Ursos polares em vilarejo da península de Tchukotka preocupam autoridades

Devido à localização da aldeia na beira do mar, a chegada de ursos foi apenas uma questão de tempo Foto: M. Deminov / WWF

Devido à localização da aldeia na beira do mar, a chegada de ursos foi apenas uma questão de tempo Foto: M. Deminov / WWF

O dia 3 de novembro foi marcado pelo aparecimento de uma aglomeração de ursos polares composta por 20 animais na costa marinha próxima ao vilarejo de Billings.

A presença de mais de 40 ursos polares atraídos por baleias mortas está ameaçando os moradores do vilarejo Rirkaipi, localizado na península de Tchukotka. A equipe da Patrulha de Ursos e voluntários estão tentando impedir qualquer contato entre os moradores do local e os animais protegidos pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês).

Na opinião dos representantes do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês), compartilhada pelos participantes da expedição do Conselho de Mamíferos Marinhos realizada no litoral da península de Tchukotka e que resultou em detecção de 15 ursos em locais distintos, a invasão de ursos polares na região não é um fenômeno comum. Na maioria das vezes, os moradores locais e os cientistas conseguem encontrar apenas pequenos grupos destes animais. No entanto, o dia 3 de novembro foi marcado pelo aparecimento de uma aglomeração de ursos polares composta por 20 animais na costa marinha próxima ao vilarejo de Billings.

"Na saída de casa pela manhã reparei a presença de um urso. Olhei para ele, ele olhou para mim, e eu segui o meu caminho. No dia seguinte vi mais um urso polar", diz o porta-voz do WWF.

Em seguida, os representantes do WWF no vilarejo Billings começaram a enviar mensagens mais preocupantes relatando a presença de uma grande quantidade de ursos adultos com seus filhotes. Mais tarde, os cientistas descobriram uma pequena ponte de água congelada entre o bloco de gelo servindo de moradia para os animais e o litoral da península.

"Os animais consideram a costa como uma fonte de alimentos e foi isso que causou o seu desembarque na península", explica Víktor Nikíforov, chefe do projeto Patrulha de Urso. "Coincidentemente, no trecho da beira do rio Kolima que chega até o Estreito de Barentsev, encontravam-se 15 baleias-cinzentas mortas. A população deles sofreu uma perda, porém os ursos ganharam um banquete", acrescenta o ativista.

Uma baleia morta expulsa pelo mar próximo ao vilarejo Billings foi consumida pelos ursos em pouco tempo, e o grupo de animais, cujo tamanho aumentou para trinta membros, seguiu na direção sudeste, percorreu 200 quilômetros em apenas dois dias e na última quarta-feira (6) se aproximou ao vilarejo Rirkaipi.

Devido à localização da aldeia na beira do mar, a chegada de ursos foi apenas uma questão de tempo. No entanto, duas baleias e algumas morsas mortas expulsas pelo mar à distância de dois e cinco quilômetros do vilarejo salvaram os moradores do contato imediato com os animais. Isso, porém, contribuiu para o aumento da sua quantidade para 43 membros, encontrados na costa pelos observadores da Patrulha de Urso, liderada por Tatiana Minenko, na última quinta-feira (7).

Os animais começaram a surgir nas proximidades do vilarejo, relata Minenko no comunicado enviado para a capital russa. A sua maior preocupação foi a possível chegada dos ursos ao lixão localizado do lado das casas de moradores. Os ativistas da organização patrulharam as redondezas, estudaram os traços deixados pelas patas de bichos na neve e realizaram reuniões com os representantes da prefeitura, diretores das empresas locais e a população, divulgando as informações referentes à proibição de caça aos ursos polares e às regras de segurança, caso aconteça um encontro com estes animais selvagens.

"Sempre há curiosos que querem conhecer os ursos de perto, principalmente, entre os mais jovens", explica Nikíforov. "Os ativistas da patrulha Valéri Kaiarakhtin e Maksim Deminov estão controlando a situação fazendo plantões próximo à escola e rodando em torno do vilarejo", relata Minenko.

"O WWF colabora com eles, fornecendo os equipamentos e materiais necessários, tais como motos de neve, gasolina e pistolas de sinalização utilizadas para espantar os ursos", conta Nikíforov. "Apenas os ursos jovens que ainda não tem medo de seres humanos se aproximam deles, sem contar com a atração destes bichos pelo cheiro do lixão. Duas motos de neve disparadas na direção de um urso conseguem afastá-lo para a distância de alguns quilômetros do vilarejo. O nosso principal objetivo é evitar um contato dos animais selvagens com os moradores. Não podemos permitir a sua presença perto das casas", acrescenta especialista.

Os ecologistas admitem que não conseguiriam manter os ursos longe do vilarejo por muito tempo se não ganhassem um presente inesperado da natureza: na última sexta-feira (8), o vento começou a soprar do sul e afastou da costa marinha os blocos de gelo onde se encontrava uma parte do grupo inicial de animais. "No entanto, muitos ursos polares ainda não saíram do lado das baleias mortas", afirma Nikíforov.

Levando em consideração a situação atual, as autoridades de Rirkaipi estabeleceram o toque de recolher que proíbe a permanência de moradores nas ruas do vilarejo no período noturno.

Segundo o WWF, uma grande aglomeração de ursos polares num local específico da península é um fenômeno extremamente raro, observado pela última vez em 2006. "No entanto, o presente fato não certifica o aumento da população destes animais na região Ártica, que no momento não supera 25 mil ursos. O único motivo dos acontecimentos recentes é o surgimento de uma ponte de gelo", explica Nikíforov, que compartilha as suas esperanças em relação à breve saída dos ursos do vilarejo e à retomada das atividades diárias pelos seus moradores. 

 

Publicado originalmente pela Gazeta.ru

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