Pussy Riot passa aniversário atrás das grades

Tolokonnikova teria como inspiração uma avó revolucionária, segundo pai de Pussy Riot Foto: RIA Nóvosti

Tolokonnikova teria como inspiração uma avó revolucionária, segundo pai de Pussy Riot Foto: RIA Nóvosti

Nadejda Tolokonnikova, a mais conhecida das três Pussy Riot detidas, fez 24 anos na última quinta-feira (7). Condenada a dois anos de prisão pelo protesto na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou, Tolokonnikova foi recentemente transferida para prisão desconhecida na Sibéria.

Após greve de fome e uma carta aberta em que descreveu a realidade desumana na prisão, Tolokonnikova foi transferida da Moldova para a Sibéria. “Ela está sendo transportada com ‘guia pessoal do Serviço Federal de Execução de Penas’, que habitualmente se emite para terroristas e líderes de associações criminosas”, informaram os seguidores da ativista.

O local onde cumprirá o resto da pena está sendo mantido em segredo, mas suspeita-se que seja no presídio nº 50, em Níjni Ingach, um povoação perdido a 300 quilômetros de Krasnoiarsk.

Nadejda Tolokonnikova frequentava a Faculdade de Filosofia da Universidade Estatal de Moscou. Pertenceu ao grupo de ativistas Voiná (Guerra), e entrou para o Pussy Riot em 2011. Em fevereiro de 2012, Tolokonnikova e mais quatro amigas entoaram uma “oração punk” na Catedral de Cristo Salvador, razão pela qual acompanhou sendo presa junto com as colegas Maria Aliókhina e Ekaterina Samutsevitch.

“A avó da Nádia é uma pessoa de princípios, muito honesta, comunista, disposta a dar a vida por seus ideais. A neta sempre disse que gostava de ser como a avó”, disse Andrei Tolokonnikov, pai de Nadejda, ao jornal “Moskóvski Komsomolets”.

“Ela é ambiciosa por natureza. Sempre houve mulheres revolucionárias que serviram estoicamente uma ideia, que lutaram por seus direitos, que foram presas por suas convicções”, acrescentou.

O pai tem a certeza de que a filha foi levada para um estabelecimento prisional longínquo para ficar separada do mundo exterior. Apesar de elogiar a iniciativa da filha, Andrei tem esperança de que ela largará as questões políticas na Rússia.

“Ficaria contente se ela emigrasse, por exemplo, para França, e se consagrasse como dissidente a causas sociais”, continuou. “Mas, pelo que eu saiba, ela não vai deixar a Rússia. Em vez disso, prosseguirá os estudos na Universidade de Moscou, para depois se dedicar à defesa dos direitos humanos”. 

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