Departamento ligado à educação firma acordo com maior rede social russa para conter “cola”

Os próprios estudantes revelaram que os resultados do teste poderiam ser comprados Foto: ITAR-TASS

Os próprios estudantes revelaram que os resultados do teste poderiam ser comprados Foto: ITAR-TASS

Funcionários do departamento ligado à educação firmaram um acordo de cooperação com a Vkontakte, a mais popular rede social russa, para que ambos possam monitorar a ocorrência de possíveis “colas” durante os exames finais.

No último dia 7, Rosobrnadzor, departamento responsável pela realização do EFU (Exame Federal Unificado), publicou um comunicado em seu site sobre um acordo de cooperação com a rede social Vkontakte, a mais popular da Rússia. Os representantes da Vkontakte prometeram que, em 2014, irão tentar impedir a disseminação de questões do EFU e das respectivas respostas na rede social. Para alcançar esse objetivo será constituído um grupo conjunto de trabalho, composto por representantes do Rosobrnadzor e por funcionários da rede social.

Durante a realização do EFU de 2013, cerca de 2.000 grupos que haviam postado as questões do exame e as respectivas respostas foram bloqueados nas redes sociais. A maior parte das comunidades bloqueadas encontrava-se precisamente na Vkontakte. O esquema de trabalho do Rosobrnadzor e do canal da web era bastante simples: o departamento enviava o link que levava à comunidade em questão e a rede social fazia o bloqueio dele, mas somente durante o período da realização do exame.

Os vazamentos do EFU ocorreram alguns dias antes do primeiro exame de Língua Russa e para cada comunidade bloqueada surgiam 10 recém-criadas. O sistema pelo qual a rede social remove o conteúdo ilegal a pedido da parte lesada, no entanto, já provou a sua ineficiência na luta contra os vídeos piratas, por exemplo.

Mas resolver este problema é algo viável: as tecnologias modernas permitem filtrar o conteúdo durante o download feito pelo usuário. Por exemplo, há vários anos que o YouTube utiliza com sucesso a tecnologia de identificação de conteúdo (Content ID), que impede os usuários de baixarem um vídeo pirateado, mesmo se ele teve seu título alterado ou se foi cortado em partes. Um sistema semelhante poderia ser aplicado no caso da filtragem dos vazamentos do EFU. Por exemplo, proibir a exibição dos resultados de pesquisas referentes a determinadas consultas ou à criação de uma comunidade com um conjunto específico de tags. Porém, os representantes do Rosobrnadzor e da Vkontakte não informaram se existem planos para o uso de inovações.

Entre as muitas propostas do Rosobrnadzor existem algumas interessantes no plano tecnológico. O departamento pretende integrar os dez diferentes sistemas de transferência de informações do sistema do exame federal em uma única rede fechada. Supõe-se que o programa especial irá monitorar quem (e quando) recebeu e editou os documentos e a quem eles foram enviados posteriormente. Esta medida destina-se a combater os vazamentos de dentro do próprio departamento e do Ministério da Educação e da Ciência, a que ele está subordinado.

Os próprios estudantes revelaram que os resultados do teste poderiam ser comprados. Por exemplo, alunos de uma escola de Moscou “fizeram uma vaquinha” para adquirir os resultados do EFU: o custo dos testes de Língua Russa e de Matemática totalizava 70 mil rublos (cerca de US$ 2.200), montante dividido de tal forma que cada aluno contribui  com 2 mil rublos (cerca de US$ 63). Um dos alunos recebeu todas as variantes existentes do EFU resolvidas e não se sabe ao certo se elas foram fornecidas diretamente pelo professor que havia participado da elaboração dos testes ou se elas vieram de funcionários conhecidos, por intermédio do professor.

Revelou-se que as versões enviadas do exame de Língua Russa coincidiam perfeitamente com o original enquanto que em uma das seções dos testes de matemática continham misturadas questões de variantes diferentes. Daí para frente era só uma questão de técnica: os alunos mais diligentes simplesmente memorizavam as soluções das questões mais difíceis enquanto que os mais preguiçosos elaboravam as suas “colas”.

Tecnologia

Uma simples pesquisa no Yandex revela muitas maneiras de “colar” utilizando alta tecnologia: desde canetas com tinta invisível e minúsculos fones de ouvido Bluetooth até os iPods com capacidade de armazenar imagens, que podem ser usados em pulseiras como um relógio, até colunas de vibração (“vibration speaker”), que transformam uma carteira escolar comum em alto-falante –basta encostar a orelha e ouvir as respostas. Na própria Vkontakte há propaganda intensiva do Escowatch, um relógio exclusivo com o qual fazer um exame deixou de ser problema. As respostas podem ser baixadas na memória desse relógio com a ajuda de um cabo USB padrão.

Mas o melhor amigo do estudante moderno continua a ser a clássica “cola” de papel e o smartphone, que já se tornou costumeiro. No que se refere à utilização deste último, em uma série de instituições educacionais foram instalados bloqueadores do sinal de comunicação móvel, porém a ação de tais bloqueadores não se estende aos banheiros das escolas. Provavelmente, a cabine do banheiro da escola seja o local mais conveniente e mais popular para visualizar as “colas” que foram trazidas e para dar aquele telefonema para um amigo que irá salvar a situação.

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