Com quase 1.000 cobras, serpentário de Novossibirsk fornece veneno usado em antídotos no mundo inteiro

Para a retirada de mais veneno os dez funcionários do serpentário cuidam da tranquilidade dos animais Foto: wikipedia.org

Para a retirada de mais veneno os dez funcionários do serpentário cuidam da tranquilidade dos animais Foto: wikipedia.org

Cada dia cerca de duas centenas de víboras passa pelo processo de retirada de veneno. Os herpetologistas admitem: até agora sentem calor se o dente escorrega pelo dedo. Alguns já foram picados e conhecem a sensação.

No serpentário de Novossibirsk, que conta com quase 1.000 cobras, é verão o ano inteiro: a temperatura ali está sempre acima de 30ºC. A umidade é quase como a dos trópicos, e também há muita luz. Tudo para o conforto das cobras. Em tais condições elas dão muito mais veneno do que na natureza. Para cada 20 cobras há um “apartamento” de dois cômodos. Uma parte da “casa” é iluminada, a outra é escura, conta o herpetologista do serpentário siberiano Vassíli Kokenko:

“A parte escura deve ser úmida. Ali elas podem deitar antes da muda, para que seu couro saia bem. Se elas precisam de um lugar mais claro e quente, rastejam para o outro compartimento para aquecerem-se debaixo de lâmpadas.”

Para a retirada de mais veneno os dez funcionários do serpentário cuidam da tranquilidade dos animais. Vibrações ou odores podem atrapalhar. Os especialistas não podem usar perfumes, por exemplo, e movimentos bruscos também são proibidos. Os herpetologistas aconselham não fazer gestos desnecessários.

Uma vez por semana cada cobra dá alguns mililitros de veneno. De fora parece simples: o funcionário pega a víbora, enrola em torno do braço, aproxima a taça e ela praticamente por vontade própria dá o veneno. Na realidade por trás deste processo estão anos de treinamento, explicam os herpetologistas.

“É preciso pegar a cobra corretamente. A manipulação é feita com todos os cinco dedos. Tudo é feito em meio segundo para que a cobra entregue o veneno mordendo a película na taça. É preciso cuidar para não machucar a cobra, não quebrar sua mandíbula, para incomodá-la o mínimo possível. O cálculo é de parcela de milímetro. Caso contrário ela pode se virar e picar”, diz Kokenko.

Cada dia cerca de duas centenas de víboras passa pelo processo. Os herpetologistas admitem: até agora sentem calor se o dente escorrega pelo dedo. Alguns já foram picados e conhecem a sensação. O veneno da víbora é muito tóxico, mas uma picada é insuficiente para matar uma pessoa adulta. Uma ou duas vezes por ano os répteis conseguem enfiar seus dentes em algum dos funcionários. Por enquanto sem sérias consequências.

O veneno obtido inicialmente é cristalizado –em várias etapas, com a ajuda de reagente especial– e depois enviado para companhias farmacêuticas russas e estrangeiras. Com esta substância mortífera surgem antídotos que salvam vidas.

 

Publicado originalmente pela Voz da Rússia

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.