Indústria russa sofre com a falta de engenheiros

Apenas um em cada três engenheiros recém-formados parte para uma busca de emprego na sua área, aponta pesquisa da ManpowerGroup Foto: Kommersant

Apenas um em cada três engenheiros recém-formados parte para uma busca de emprego na sua área, aponta pesquisa da ManpowerGroup Foto: Kommersant

Apesar de boas remunerações e outros benefícios oferecidos pelos empregadores, dois terços dois profissionais preferem abrir um negócio próprio. Ausência de mão de obra qualificada na Rússia atingirá um nível crítico em 10 anos.

Os resultados de uma pesquisa realizada pela agência de emprego e negócios ManpowerGroup mostra que a carência de jovens com formação técnica na Rússia obriga as empresas a contratarem profissionais já aposentados ou prestes a se aposentar. Nos próximos anos, essa tendência será acentuada, forçando uma grande quantidade de indústrias a suspender suas atividades.

Apesar de boas remunerações e outros benefícios oferecidos pelos empregadores, contratar um engenheiro não é uma tarefa fácil. “Isso mesmo considerando que os salários dos engenheiros crescem de maneira exponencial e já se aproximam aos valores pagos na Europa ou nos Estados Unidos”, afirma Felix Kuguel, diretor da representação regional da ManpowerGroup na Rússia e nos países da CEI (Comunidade dos Estados Independentes).

A falta de engenheiros é um grande problema para as regiões russas com polos industriais, como as unidades federativas de Kaluga e Lenindradskaia. “As montadoras de automóveis de grande porte abriram fábricas na unidade federativa de Kaluga, porém, estão enfrentando um grande desafio de conseguir os especialistas qualificados para preencher as vagas no departamento de engenharia”, diz Kuguel.

A busca por engenheiros sofre concorrência com o mercado internacional, e as empresas nacionais começaram a oferecer futuros contratos a estudantes de segundo e terceiro anos de faculdade. Recentemente, a ManpowerGroup realizou um projeto solicitado por um fabricante francês que precisava de um engenheiro de nível inicial. “Conseguimos encontrar um candidato recém-formado que acabou de ingressar no mercado de trabalho”, conta o diretor. Após a análise do currículo, os franceses ofereceram ao jovem um salário de 3.000 euros, um bom pacote de benefícios e ajuda de custo na mudança.

Entretanto, na opinião de Kuguel, o fluxo migratório para os países europeus e os Estados Unidos não inclui engenheiros russos devido à falta de conhecimento da língua inglesa, assim como ao alto custo de vida e impostos que, nesses países, podem atingir até 50% do salário.

O motivo real da carência de especialistas técnicos no mercado russo é sua atuação em outros setores, inclusive em negócios próprios. “Apenas um em cada três engenheiros recém-formados parte para uma busca de emprego na sua área, portanto, a indústria russa perde mais de 130 engenheiros novos anualmente. A pior consequência é a falta de profissionais para uma futura substituição dos engenheiros empregados atualmente”, comenta Felix Kuguel.

O diretor da empresa de consultoria em recursos humanos Jacobson Partners, Dmítri Akopov, também reconhece a situação desfavorável no mercado de trabalho. Em sua opinião, a falta de engenheiros na Rússia atingirá um nível crítico em 7 a 10 anos.

 

Publicado originalmente pelo RBC Daily

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