Ambientalistas do Greenpeace poderão ser acusados de terrorismo e pirataria

Durante a ação, os guardas fronteiriços abriram fogo de aviso, exigindo a interrupção da marcha do navio, e, em seguida, aterraram de helicóptero na embarcação e detiveram a tripulação Foto: ITAR-TASS

Durante a ação, os guardas fronteiriços abriram fogo de aviso, exigindo a interrupção da marcha do navio, e, em seguida, aterraram de helicóptero na embarcação e detiveram a tripulação Foto: ITAR-TASS

Guardas fronteiriços russos apreenderam o navio “Arctic Sunrise” com ativistas do Greenpeace a bordo e rebocaram a embarcação para o porto de Murmansk, onde estão sendo apuradas as responsabilidades. Os ambientalistas poderão ser acusados de terrorismo, pirataria e violação da legislação da zona econômica exclusiva da Federação Russa.

De acordo com a assessoria de imprensa da Guarda de Fronteiras do Serviço Federal de Segurança (SFS) para a região de Murmansk, o capitão do “Arctic Sunrise” se recusou a operar o navio depois de este ter sido detido pelos guardas fronteiriços russos perto da plataforma de Prirazlômnaia, onde dois militantes do Greenpeace, o finlandês Sini Saarela e suíço Marco Polo, haviam escalado como forma de protesto. Entre os militantes do Greenpeace detidos estava a bióloga brasileira Ana Paula Maciel.

Durante a ação, os guardas fronteiriços abriram fogo de aviso, exigindo a interrupção da marcha do navio, e, em seguida, aterraram de helicóptero na embarcação e detiveram a tripulação. “O pessoal da guarda não utilizou armas e ninguém ficou ferido na operação”, destacou a fonte do SFS. Os funcionários do órgão conduziram um inquérito com o capitão do navio, que foi acusado de terrorismo, assim como de realizar atividades de investigação científica ilegais.

Os ambientalistas chegaram ao Ártico a bordo do quebra-gelo “Arctic Sunrise” com a bandeira dos Holanda há cerca de um mês para realizar um “protesto pacífico e não violento” contra as petrolíferas que operam no Ártico, informaram os ambientalistas.

Não é a primeira vez que os militantes escalam a plataforma de Prirazlômnaia, contudo. Um ano atrás, em agosto de 2012, outros ativistas do Greenpeace conseguiram, da mesma forma e utilizando equipamento de escalada, subir à plataforma e, depois de pendurar uma tenda na plataforma, se mantiveram nela por mais de dois dias.

“Queremos que deixem de extrair petróleo na plataforma continental e que criem aqui uma zona protegida semelhante à da Antártida. Antes de mais, essa atividade é perigosa devido ao perigo de possíveis derramamentos de petróleo, que não são excluídos nem pelas próprias empresas envolvidas na extração. Em torno da Prirazlômnaia existem três áreas naturais protegidas”, explicou o coordenador do programa para o Ártico do Greenpeace–Rússia, Vladímir Tchuprov.

A plataforma está localizada em uma zona econômica livre, a 40 km da ilha de Kolguev, no mar de Pechora. “É uma ilha artificial, fixada ao fundo do mar a uma profundidade de 20 metros. O petróleo extraído ali é levado por mar até Murmansk e, em seguida, daí é enviado para o estrangeiro. Já existem vários navios fretados e um quebra-gelo para o efeito”, explica o inspetor técnico do trabalho do Sindicato dos Trabalhadores do Petróleo e Gás das áreas da Indústria e Construção, Aleksandr Volkov.

Apesar de não descartar os riscos ambientais de tal perfuração, Volkov acredita que esse tipo de produção é justificado pelos altos preços do petróleo. “Com o solo gelado os riscos aumentam. A grande questão é o que pretendem fazer com os resíduos da produção. E também ainda não dá para entender como evacuarão de lá as pessoas em caso de situação de emergência”, disse ele.

Mesmo após dois anos de tentativas, os ativistas do Greenpeace  não desistiram de entregar um plano de prevenção e resposta a eventuais derramamentos de petróleo à subsidiária da Gazprom, LLC Gazprom Neft Shelf, a quem pertence a plataforma. Os representantes da petrolífera, no entanto, se recusam comentar sobre o assunto. 

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.