“Breivik russo” pode pegar prisão perpétua

Manifesto valeu a Vinogradov o apelido de “Breivik russo”, em alusão ao autor dos ataques na Noruega em 2011 Foto: RG

Manifesto valeu a Vinogradov o apelido de “Breivik russo”, em alusão ao autor dos ataques na Noruega em 2011 Foto: RG

Começou em Moscou o julgamento de Dmítri Vinogradov, que há quase um ano executou seis colegas de trabalho. Antes do crime, o advogado publicou um manifesto no qual afirmava que a humanidade deveria ser destruída. Apesar de demonstrar desiquilíbrio mental, peritos garantem que agressor agiu conscientemente.

Na quarta-feira passada (14), teve início em Moscou o julgamento do advogado Dmítri Vinogradov, que, em novembro de 2012, disparou tiros em sete colegas de trabalho da empresa farmacêutica Rigla, em Moscou.

Como resultado, cinco deles morreram no local e uma sexta pessoas veio a falecer mais tarde no hospital. De todos os atingidos, apenas uma mulher conseguiu sobreviver.

Vinogradov está sendo julgado por três crimes – assassinato coletivo, tentativa de assassinato e estímulo público a atos extremistas – e corre o risco de pegar prisão perpétua.

O advogado foi apelidado de “Breivik russo” pela mídia local porque, na véspera do massacre, Vinogradov havia postado na internet um manifesto no qual comparava a humanidade inteira a um câncer e apelava para a sua “destruição em massa”.

Mesmo assim, a investigação mostrou que os crimes foram impulsionados por motivos pessoais, afastando os rumores de que pudesse se tratar de um ato terrorista. Segundo a polícia, o jurista tinha sido largado pela namorada, começou a beber e no quinto dia de embriaguez decidiu ir armado para o escritório. A única coisa em comum entre o atirador de Moscou e o terrorista norueguês Breivik é o manifesto.

“Ele é uma pessoa mentalmente doente, mas é imputável”, defende o psiquiatra forense e diretor do Centro de Assistência Jurídica e Psicológica para Situações de Emergência, Mikhail Vinogradov. “Pessoas como o réu, obcecadas pela autoridade, provam a sua superioridade com uma perseverança maníaca.”

Serguêi Enikolopov, chefe do departamento de psicologia criminal da Universidade Municipal de Psicologia e Pedagogia de Moscou, também não acredita que se possa comparar Vinogradov a Breivik. “Ele não é um fascista. Pessoas como Vinogradov surgem porque no nosso país se presta pouca atenção à saúde mental”, diz o especialista.

“O trabalho rotineiro e variadas situações que fazem as pessoas se sentirem humilhadas, levam muitos, como Vinogradov, à violência. Essas pessoas têm um entendimento de seus direitos e um senso de justiça muito peculiares e, como resultado, começam a fazer esta justiça por suas próprias mãos”, acrescenta Enikolopov. O psicólogo alega que o estresse da grande cidade pode levar a tais perturbações, como demonstram alguns acontecimentos semelhantes nos EUA, por exemplo.

Para diminuir a incidência desses casos na Rússia, ambos afirmam que é preciso tornar a lei sobre a prestação de cuidados de saúde mental mais rígida. Além disso, existem poucos estudos interdisciplinares que consigam explicar tais fenômenos.

“Em nossas universidades praticamente não existem cursos de psicologia criminal. Como resultado, apenas a mídia reage a estes eventos, enquanto os demais especialistas não entendem a que área devem remeter esse fenômeno. É preciso dar aulas de psicologia aos policiais”, conclui Enikolopov.

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