Parlamentares querem antecipar mudanças na lei para motoristas estrangeiros

Deputados da Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento) querem acelerar a entrada em vigor da lei que obrigará os motoristas profissionais estrangeiros que trabalham na Rússia a obter uma carteira de habilitação do país Foto: ITAR-TASS

Deputados da Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento) querem acelerar a entrada em vigor da lei que obrigará os motoristas profissionais estrangeiros que trabalham na Rússia a obter uma carteira de habilitação do país Foto: ITAR-TASS

Obtenção de licença para motoristas profissionais estrangeiros será obrigatória. Para os que já trabalham no setor de transportes, um exame teórico sobre as regras de trânsito será aplicado, já para os que ainda não trabalham como motoristas, haverá exame prático.

Depois de um grave acidente na região de  Moscou terminar com a morte de 18 pessoas, deputados da Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento) querem acelerar a entrada em vigor da lei que obrigará os motoristas profissionais estrangeiros que trabalham na Rússia a obter uma carteira de habilitação do país.

No acidente, um caminhão conduzido por um cidadão armênio que havia sido alvo de sucessivas multas por infrações de trânsito graves colidiu com ônibus de passageiros.

“Alterações do artigo 20 da Lei de Segurança do Tráfego Rodoviário obrigarão cidadãos estrangeiros que desejam trabalhar no território da Federação Russa, prestando serviços comerciais ou mediante contratação, a obterem carteira de habilitação russa. A decisão deve entrar em vigor a partir de 1º de novembro”, disse o chefe do comitê de transportes da Duma de Estado, Eugeni Moskvichev, do partido Rússia Unida.  

O primeiro vice-presidente da comissão da Duma para os transportes, Mikhail Briachak, explicou que a legislação correspondente sobre o porte obrigatório da carteira de motorista de modelo russo por cidadãos estrangeiros foi aprovada ainda na primavera. O prazo para a sua aplicação era de um ano após a aprovação, o qual parlamentares acreditam ser muito longo.

“No outono, vamos considerar a questão da redução do prazo para a aplicação desta lei”, declarou o parlamentar em transmissão da rádio “Kommersant FM”.

Segundo ele, para a obtenção de licença, os motoristas estrangeiros que já trabalham no setor de transportes no país terão de passar por um exame teórico sobre regras de trânsito. Os que ainda não trabalham como motoristas, irão prestar um exame prático.

Moskvichev especificou ainda que a inovação não vai interferir no transportadores temporários ­–neste caso, seguem valendo as regras internacionais. 

Segundo ele, as estatísticas indicam que os cidadãos estrangeiros com pouco conhecimento sobre as especificidades de condução nas condições russas constituem uma proporção significativa entre os envolvidos em acidentes.

“Sabemos pouco sobre como os motoristas são treinados e quais exigências são feitas em seus exames. Em segundo lugar, os países possuem diferentes zonas climáticas e elementos geográficos. Há países que não sabem o que é um inverno com neve e gelo. Isso deve ser levado em conta“, explica Briachak.

Normas insuficientes

No entanto, alguns especialistas acreditam que a medida sozinha não é  suficiente para reduzir o número de acidentes. Segundo eles, é necessário punir os proprietários de empresas de transporte que obrigam as pessoas a trabalhar no limite de sua capacidade física, bem como melhorar a rede de estradas e tornar mais eficiente o trabalho da polícia rodoviária.

“Essas tragédias não acontecem porque os motoristas não conhecem as regras. As razões são muitas. Primeiramente, os motoristas são obrigados a trabalhar em excesso pois são informados de que quanto mais corridas fizerem, mais dinheiro receberão. É claro que esse sistema é determinado pelos empregadores”, disse à Gazeta Russa o presidente do Conselho de Proteção dos Direitos de Proprietários de Veículos Automotivos, Viktor Travin.

“Além disso, deve-se considerar a qualidade de nossas estradas. O investimento nas estradas russas é sete vezes maior do que na Alemanha, mas as estradas são cem vezes piores do que as alemãs. Nossa iluminação e sinalização são ruins. Onde necessário, nem sempre existem serviços rodoviários capazes de resolver uma situação difícil. É esta combinação de fatores que leva a tragédias terríveis.” 

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