Luta contra o congestionamento rende US$ 757,5 mil para governo de Moscou

Quantidade de automóveis que rodam por Moscou supera em 30 % a capacidade das vias urbanas Foto: ITAR-TASS

Quantidade de automóveis que rodam por Moscou supera em 30 % a capacidade das vias urbanas Foto: ITAR-TASS

Apesar de ser uma das últimas cidades da Europa a introduzir vagas pagas para estacionar no centro, capital acumulou verba considerável logo no primeiro mês da medida.

Desde 1° de junho, só é possível estacionar no centro de Moscou mediante o pagamento de 50 rublos (cerca de US$ 1,5) por hora. Segundo cálculos prévios, a medida engordou o orçamento da Câmara Municipal com US$ 757,5 mil logo no primeiro mês. No entanto, as autoridades reiteram que o objetivo principal da introdução do estacionamento pago em Moscou é resolver os problemas decorrentes do congestionamento e “europeizar a capital”.

Os extensos engarrafamentos na capital são uma velha e conhecida realidade. Aleksandr Tchúmski, diretor do Centro Moscovita de Luta contra os Engarrafamentos, ressalta que, hoje em dia, a quantidade de automóveis que rodam por Moscou supera em 30 % a capacidade das vias urbanas. “Por isso, temos de tirar um terço de viaturas das ruas”, explica. Duas das várias maneiras de controlar o fluxo viário, segundo ele, seriam aumentar o preço da gasolina e estabelecer zonas de estacionamento pago. 

Procura-se vaga

Os primeiros estacionamentos pagos surgiram na capital em novembro de 2012. Na época foram criados 558 lugares e desde então foi apenas ampliada. Os residentes locais não pagam a taxa no horário noturno e podem comprar uma anuidade por US$ 90.

Com a iniciativa, a expectativa é que os cidadãos que trabalham no centro de Moscou recorram aos transportes públicos para evitar o gasto de quase 13 dólares por dia. O pagamento pode ser feito via SMS ou nos próprios parquímetros. Quem não paga o valor, corre o risco de ter o carro rebocado e desembolsar 150 dólares para ter o carro de volta. O diretor-geral da entidade “Administração do Espaço de Estacionamento de Moscou”, Ígor Kuznetsov, assegura que os meios serão investidos no desenvolvimento das zonas urbanas em que foram obtidos.

“Moscou foi a última cidade europeia a ter estacionamento na rua pago”, diz Aleksandr Tchúmski. Para ele, é preciso agora alargar a zona paga. O preço para estacionar na rua em Moscou está dentro dos parâmetros europeus, mas para atingir a qualidade europeia dos serviços, será necessário criar estacionamentos privados.

“Na Europa, os investidores desfrutam de consideráveis ajudas do Estado”, afirma Iúlia Nikúlitcheva, vice-diretora do departamento de pesquisa da Jones Lang LaSalle. A ajuda vem na forma de benefícios fiscais, cofinanciamento ou venda de terrenos a baixo custo.

Resultado rápido

Os efeitos da nova política das autoridades moscovitas não demoraram. Segundo Kuznetsov, a circulação automóvel dentro da Circular dos Bulevares diminuiu de 20% a 25%, o que corresponde a quase 4 mil carros. O estacionamento pago teve de 60 a 80% de ocupação, e o tempo médio de estacionamento caiu de 6 a 8 horas para 50 a 90 minutos.

Os motorista, por sua vez, são contra a tributação. “O governo de Moscou não explicou por que estamos pagando essa taxa”, diz Vitor Trávine, presidente da Associação da Defesa Jurídica dos Proprietários de Automóveis. Em sua opinião, os locais para estacionar não estão devidamente equipados nem ninguém garante a segurança dos carros. Trávine concorda que houve uma queda no número de carros no centro, mas acha que isso prejudicará os negócios, já que o fluxo de clientes dos cafés, bares e lojas tende a baixar. “A solução mais razoável seria retirar os prédios públicos do centro”, rebate.

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