Rússia traça metas para o desenvolvimento do Ártico

O porto de Sovétskaia Gavan em Khabarovsk, no Extremo Oriente da Rússia Foto: RIA Nóvosti / Alexander Lyskin

O porto de Sovétskaia Gavan em Khabarovsk, no Extremo Oriente da Rússia Foto: RIA Nóvosti / Alexander Lyskin

Ministério do Desenvolvimento Regional começou a desenvolver um programa estatal de desenvolvimento socioeconômico do Ártico russo, com a criação de um grupo de trabalho interdepartamental para o seu desenvolvimento.

Até o final do ano está prevista a definição das fronteiras russas no Ártico, informou o ministro de Desenvolvimento Regional, Ígor Sliuniáev, na reunião da presidência do colegiado da pasta.

Sliuniáev disse que antes de procurar financiamento para isso, será  primeiro criado um conceito de desenvolvimento do território. Especialistas observam que o componente principal deste conceito deve ser o desenvolvimento de infraestrutura, especialmente de transporte.

Durante a reunião, o ministro observou que a zona do Ártico da Rússia tem uma população de mais de 2 milhões de pessoas, responde por cerca de 15% do PIB e por 80% do gás extraído no país, pela extração de mais de 95% de metais do grupo da platina, mais de 85% de níquel e cobalto, aproximadamente 60% de cobre, além de uma quantidade significativa de diamantes. Além disso, através da zona do Ártico passa uma das mais promissoras artérias de transporte marítimo do globo, a rota do mar do Norte.

“Para a preservação e o desenvolvimento da zona do Ártico, na qualidade de nossa base estratégica de recursos, é necessário resolver um conjunto inteiro de tarefas, que inclui: a criação de condições de vida neste território, a elevação do nível de disponibilidade de infraestrutura, a implementação de medidas para estimular o crescimento e a diversificação da economia, a garantia da conservação dos sistemas ecológicos e a melhora na qualidade da administração nas esferas municipal e estadual”, informou o ministro.

Por isso, a pasta começou a desenvolver um programa estatal de desenvolvimento socioeconômico do Ártico russo, com a criação de um grupo de trabalho. O instrumento para a implementação do programa estatal, de acordo com o chefe da entidade, pode ser o Fundo de Investimentos da Federação Russa, cujo destino está sendo decidido, e o programa federal de objetivos para o desenvolvimento da zona do Ártico, cuja elaboração o Ministério do Desenvolvimento regional está iniciando.

De início, o desenvolvimento do Ártico passa pela definição das suas fronteiras, notou o ministro, para que se entenda exatamente onde investir o dinheiro. Ele assegurou aos jornalistas que antes do final do ano os limites serão claramente definidos.

Transporte

No entanto, especialistas não veem a necessidade da colocação de limites regulares.

“Parece que já está tudo claro. Se encontrarmos alguns territórios adicionais, estes serão poucos. O principal problema é o transporte”, disse o chefe da cadeira de economia mundial da Escola de Economia, Leonid Grigóriev.

O problema do tráfego para o desenvolvimento da região também foi destacado pelo  diretor do centro Mirovoi Okean, Aleksêi Konovalov. Ele observou que o principal impulso para o desenvolvimento pode ser dado pela infraestrutura, principalmente se forem criados portos ao longo da rota do Norte, o que permitirá utilizar as suas águas como uma via de transporte nacional.

O vice-presidente do Centro Euro-Asiático do Desenvolvimento Econômico e Jurídico, Aleksandr Prilepin, diz que os problemas de transporte devem ser primeiramente abordados na parte oriental da região.

“Isso pode ser implementado por meio de projetos de investimento individuais ou de conceito geral de desenvolvimento. É muito importante desenvolver uma plataforma de energia e logística na região, modernizar e aumentar a base da produção, aumentar a componente de matéria-prima e melhorar a conectividade de transporte”, disse o especialista.

Conforme explicado pelo especialista em desenvolvimento de depósitos de petróleo e gás na plataforma do Ártico, Aleksander Volkov, no desenvolvimento dos territórios do Norte, a maior parte dos gastos é indireta.

“É muito fácil perfurar e colocar uma torre de petróleo, porém abrir caminhos para este lugar e fazer a infraestrutura para que as pessoas possam viver custa muito mais e exige muito tempo” disse o especialista.

No que diz respeito à experiência estrangeira, os funcionários russos vão levar em conta as abordagens de Canadá, Noruega e Suécia.

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