Ministério promete “resposta apropriada” às críticas americanas sobre tráfico de pessoas

Trabalhadores imigrantes observam funcionários do Departamento de Controle da Imigração durante inspeção para deportar imigrantes ilegais Foto: Vitáli Ankov/RIA Nóvosti

Trabalhadores imigrantes observam funcionários do Departamento de Controle da Imigração durante inspeção para deportar imigrantes ilegais Foto: Vitáli Ankov/RIA Nóvosti

O comissário para a questão dos Direitos Humanos, Democracia e Estado de Direito do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Konstantin Dolgov, afirmou que as declarações hostis dos Estados Unidos em uma relatório sobre o combate ao tráfico de pessoas e ameaça de possíveis sanções contra a Rússia receberão uma resposta à altura.

Um relatório anual do Departamento de Estado dos EUA, aponta a Rússia, o Uzbequistão e a China como países-infratores no combate ao tráfico de pessoas. Esses países estão sujeitos à sanções como recusa de financiamento de intercâmbio educacional e cultural, além do não consentimento dos EUA para a concessão de ajuda do FMI e do Banco Mundial.

O Ministério das Relações Exteriores russo diz ter analisado com muita atenção o relatório do Departamento de Estado dos EUA sobre o tráfico de pessoas no mundo.

A conclusão do é que, em vez de um exame objetivo das causas da crescente incidência do tráfico de pessoas, inclusive no território dos próprios EUA, “os autores do relatório usaram novamente uma abordagem metodológica inaceitável, na qual os países são classificados em determinadas categorias de um ranking, dependendo do grau de simpatias política pelo Departamento de Estado dos EUA”.

Dolgov disse não ter ficado surpreso com o fato de a Rússia ter sido incluída na categoria dos "piores infratores” em um documento norte-americano. “Fomos inseridos entre os merecedores de punição por meio da aplicação de sanções da parte dos EUA. Isso condiz perfeitamente com a lógica da recém-promulgada  lei de Magnítski e outras ferramentas de democratização que as autoridades americanas estão tentando aplicar em relação à Rússia”, disse o representante do ministério.

Os EUA advertiram repetidamente a Rússia sobre o provável rebaixamento no ranking e, segundo o diplomata, sugeriram uma lista de recomendações elaborada especialmente para a Rússia, na qual o país seria instruído a alterar a legislação e a prática da aplicação da lei para o combate do tráfico de seres humanos, seguindo os padrões americanos.

“As autoridades russas nunca serão guiadas por instruções elaboradas em outro país, muito menos irão cumprir condições estabelecidas em termos de quase ultimato”, acrescentou Dolgov.

O ministério russo estimula a parceria com os norte-americanos para continuar os contatos construtivos sobre o combate ao tráfico de pessoas, tanto em formato bilateral como nos espaços internacionais, “mas sem tentativas de tutela e difamação”.

As medidas sugeridas pelos EUA podem entrar em vigor a partir de 1° de outubro. O governo russo indignou-se com a possibilidade da aplicação extraterritorial de sanções unilaterais contra a Rússia, previstas na lei americana de 2000 relativa à proteção das vítimas de tráfico de pessoas.

“Tal atitude é contrária aos objetivos de um futuro  desenvolvimento positivo das relações russo-americanas e aos acordos construtivos alcançados pelos respectivos presidentes durante recente reunião [do G8] em Lough Erne. Evidentemente, as medidas hostis serão seguidas por uma resposta apropriada de nossa parte”, concluiu Dolgov.

 

Publicado originalmente pelo Vzgliad

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