Voluntários se dedicam à limpeza urbana

No fim de semana passado, mais de 450 voluntários ajudaram a limpar o parque Muzeon, em Moscou Foto: PressPhoto

No fim de semana passado, mais de 450 voluntários ajudaram a limpar o parque Muzeon, em Moscou Foto: PressPhoto

Rússia revive tradição do trabalho voluntário para a retirada de lixo e embelezamento dos espaços públicos.

No último sábado (20), a estudante e funcionária de um café Valentina Volchenkov, 20, se juntou a outros 460 voluntários no parque Muzeon, em Moscou, para limpar os gramados e as vias, retirar os lixos e as folhas caídas, pintar bancos e plantar flores nos canteiros. A ação comunitária não é, contudo, nenhuma novidade.

O “subbotnik”, como é chamado esse trabalho voluntário de limpeza e embelezamento dos espaços públicos durante os finais de semana da primavera, geralmente aos sábados (daí o nome, já que “subbota” quer dizer sábado em russo), teve início quase 100 anos atrás.

Dizem os mais velhos que o primeiro subbotnik de Moscou aconteceu em 1919, por iniciativa do líder bolchevique recém-chegado ao poder Vladímir Lênin. A primeira edição teria contato com a participação de 15 pessoas, embora, no ano seguinte, o número de voluntários já alcançasse os 425 mil.

Na época soviética, esse sábado comunitário se tornou uma prática muito popular, mas, depois da queda da URSS, as atividades foram ficando cada vez menos frequentes. Foi somente ao longo da última década que o movimento ressurgiu.

“Quase todo mundo do café quer participar, mas o negócio não pode parar. Por isso, combinamos quem vai hoje e quem irá na próxima semana”, conta Volchenkov. O próximo subbotnik está agendado para este sábado em outro parque moscovita, o Sokolniki.

O número de voluntários cresce a cada ano. Em 2011, o movimento tinha 60 voluntários; no ano passado, já eram 360. As empresas também investem em iniciativas ecológicas a fim de estimular o espírito voluntários dos funcionários e moradores da capital.

Roman Sablin, fundador da agência de soluções ecológicas GreenUp e autor do livro "Piloto verde, 24 horas de vida ecológica”, costuma coordenar eventos desse tipo, explicando para os colaboradores de empresas como separar o lixo que seguirá para reciclagem. “Cerca de 40% do lixo coletado nos parques pode ser reciclado”, diz Sablin. Com 400 latas de alumínio, por exemplo, é possível fazer uma bicicleta.

"Muitos veem isso como uma diversão, mas há vários outros que, depois de realizar essas atividades, passam a separar o lixo em casa. Existe ainda um efeito psicológico importante: nos locais limpos, as pessoas jogam 50% menos lixo”, acrescenta Sablin.

Reciclagem social

Além dos subbotniks corporativos, ganham força também as ações voluntárias desempenhadas por comunidades locais. Exemplo disso é o movimento “Não há mais lixo” que, desde 2004, reúne ativistas de cem cidades russas e cinco países das ex-repúblicas soviéticas.

“Tudo começou com as áreas externas do prédio onde moro. Os zeladores limpavam apenas  as partes próximas ao prédio, mas ninguém cuidava do parquinho infantil. Eu queria que lá fosse um ambiente bonito, limpo e acolhedor”, recorda Dennis Stark, 35, fundador do movimento.

Há nove anos, Stark promoveu a primeira ação do grupo em São Petersburgo, sua cidade natal. Na época, dez pessoas se juntaram aos oito organizadores. Para tirar o lixo, ele alugou um caminhão com seus próprios recursos. A ação cresceu tanto que, em 2011, o movimento contou com 9 mil voluntários e, no ano passado, 85 mil pessoas espalhadas por diversas regiões saíram as ruas para limpar suas respectivas cidades.

Atualmente, os voluntários usam recursos diversos para divulgar a iniciativa, como anúncios em redes sociais, publicidade no metrô e realização de encontros presenciais para falar sobre os próximos eventos.

Em setembro deste ano, o movimento “Não há mais lixo” irá realizar novamente um subbotnik integrado à campanha mundial “World Cleanup 2013”. As ações dessa campanha mundial já tiveram início na Rússia, com o evento “O puro gelo do Baikal”, realizado no último dia 30. Na ocasião, 260 voluntários recolheram 98 sacos de lixo em uma área de 3 km². 

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