Moscou ganhará plataformas de distribuição alimentar

Foto: ITAR-TASS

Foto: ITAR-TASS

Dois complexos agroindustriais com 1 milhão de m2 cada prometem impulsionar as vendas de produtos importados e de pequenos produtores russos. De acordo com especialistas, governo deve ficar responsável pelas regras do comércio e de preços do centro atacadista.

Até o final de abril, serão apresentadas ao prefeito de Moscou duas áreas nas imediações do Anel Rodoviário, com aproximadamente 1 milhão de metros quadrados cada, para a construção de plataformas de distribuição alimentar nos moldes do Rungis, de Paris, ou do Mercamadrid, na capital espanhola.

“O projeto para a criação do complexoagroindustrial está em fase final de negociação”, revelou ao jornal “RBC Daily” o chefe da Secretaria Municipal de Comércio e Serviços, Alex Nemeriuk. A criação de um sistema de atacado já estava prevista em um subprograma aprovado em outubro do ano passado.

De acordo com o vice-prefeito, Andrêi Charonov, um importante centro logístico de alimentos deve satisfazer as necessidades dos moradores da capital em termos de produtos frescos (assim como a Ceagesp, em São Paulo, por exemplo) e paralelamente se tornar um centro de comercialização para os pequenos produtores russos.

“A ideia não é estabelecer uma porta de entrada para alimentos importados, mas criar um ‘aspirador’ que vai habilmente sugar a produção gerada na Rússia”, esclarece Charonov.

A procura por terrenos com áreas de 50 a 100 hectares começou no segundo trimestre deste ano. Além do espaço para construção de 1 milhão de metros quadrados, essas áreas devem apresentar proximidade com linhas ferroviárias, aeroporto e autoestradas, para facilitar o transporte de produtos.

Uma das áreas previamente selecionadas para construção do completo,  Moljaninovo, no norte de Moscou, será especializada em produtos importados que fluem para a capital dos portos de São Petersburgo e da Finlândia. Já o mercado de alimentos localizado no sul da capital será destino dos itens provenientes do sul do país e da Ucrânia.

Para implementar esses ambiciosos planos, a administração da cidade está contando com uma parceria público-privada. O governo de Moscou deve contribuir para o projeto fornecendo os terrenos ou se restringir à construção de estradas de acesso e infraestrutura, caso seja escolhida uma área pertencente a terceiro.

Reforço estatal

Nemeriuk declarou também que os acordos preliminares com os proprietários de terra, investidores e desenvolvedores já foram fechados, mas não forneceu detalhes sobre as negociações. Pela avaliação de Valentin Gavrilov, os investimentos na construção do empreendimento podem chegar a cerca de US$ 0,9 bilhões.

As autoridades municipais ficarão ainda responsáveis pela regulamentação do complexo. “O governo irá determinar as regras do comércio e de preços, bem como garantir o livre acesso dos produtores a esses mercados”, adiantou Nemeriuk.

O diretor de pesquisa e consultoria da Magazin Magazinov, Andrêi Vasiutkin, concorda que a participação do governo é fundamental não apenas para criação da infraestrutura de transportes. “Alguém precisa verificar e garantir a qualidade dos produtos”, comenta o especialista. Nos países citados anteriormente, essa função é assumida pelo governo que, via de regra, faz parte dos acionistas ou dos fundadores da sociedade responsável pela gestão do centro atacadista.

Vasiutkin lembra que já existem em Moscou alguns centros atacadistas de alimentos, mas a cidade precisa substituí-los por complexos maiores e próximos às vias de acesso para facilitar a logística.

Além disso, um dos maiores problemas atuais de abastecimento, que se refere aos produtos agrícolas provenientes de regiões próximas, deve ser solucionado após a construção do complexo, acreditam os especialistas. Se essa expectativa for confirmada, será possível reduzir o período de retorno do projeto, estimado em cerca de sete anos.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.