Ministério da Saúde defende adoção por soropositivos

Especialistas reiteram que país soropositivos não impõem riscos às crianças Foto: Alamy/LegionMedia

Especialistas reiteram que país soropositivos não impõem riscos às crianças Foto: Alamy/LegionMedia

Atual controle da evolução da infecção e número de crianças em orfanatos justificam a postura do órgão federal. Mesmo assim, deputado acredita que medida pode sofrer resistência por causa do estigma social.

O Ministério da Saúde russo pediu ao governo para permitir que portadores de HIV ou de hepatite B e C tenham direito de adotar crianças, de acordo com uma carta dirigida ao Ministério da Educação e Ciência e a uma ONG para mulheres com HIV.

Na carta, o ministério afirmou ter propostos emendas à lista de doenças que proíbem seus portadores de adotar crianças.

Atualmente, todos os cidadãos soropositivos ou portadores de hepatite B e C são obrigados a fazer um registro nas clínicas locais. A lei de 1996 proíbe que esses indivíduos registrados participem de processos de adoção.

O Ministério da Saúde disse que, devido aos avanços médicos que permitem soropositivos a levar uma vida normal, “o registro dos pacientes não pode ser um critério para avaliação em casos de adoção”.

A proposta, que ainda aguarda aval do governo, foi feita após anos de esforços de ONGs como a EVA, uma organização de mulheres soropositivas, para mudar a legislação e permitir que as pessoas infectadas pelo vírus HIV tenham o direito de adotar.

“Tenho muita esperança de eles vão aceitar as propostas. Trata-se de uma doença sob controle e que mudou muito desde 1996. Não representa qualquer perigo”, disse a diretora do EVA, Aleksandra Volguina, ao jornal “The Moscow News”, depois de receber a carta.

“É uma decisão lógica, considerando o número de crianças soropositivas adotadas e a pouca chance de serem adotadas por estrangeiros”, disse Volguina.

Mas a proposta pode enfrentar resistência da sociedade, acredita o chefe do Comitê de Saúde da Duma do Estado (câmara baixa do parlamento russo), Serguêi Kalachnikov. “A sociedade russa está absolutamente despreparada para essa decisão. Há muitos medos e mitos, parcialmente justificados pelo fato absurdo de que um grande número de pessoas são infectadas pelo vírus HIV nos centros médicos”, disse Kalachnikov ao jornal “Kommersant”.

Atualmente, existem 8 milhões de pessoas na Rússia infectadas com vários tipos de hepatite, de acordo com o Instituto Central de Pesquisa Epidemiológica, e 700 mil portadores de HIV, segundo o Centro Federal de Aids, uma organização com sede em Moscou que pesquisa e combate a disseminação do vírus HIV. Porém, é provável que esses números representem uma subestimativa dos índices reais. ​​

Enquanto isso, o país tem cerca de 105 mil crianças vivendo em orfanatos, de acordo com o Ministério da Educação e Ciência. A Rússia aprovou recentemente um projeto de lei que proíbe a adoção de crianças russas por famílias norte-americanas, responsáveis por 956 adoções em 2011.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow News

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