Desemprego na Rússia atinge mínimo de 4,8%

Porta Superjob.ru alega que ofertas de emprego aumentaram 2,2% em março passado Foto: Gleb Kotov / Ria Novosti

Porta Superjob.ru alega que ofertas de emprego aumentaram 2,2% em março passado Foto: Gleb Kotov / Ria Novosti

Índice é cinco vezes menor do que na Espanha e tende a se manter estável. Porém, mercado negro responde por metade dos empregos no país.

Depois de alguns dias em Moscou, quando um turista europeu esgotou suas perguntas sobre a situação política no país e a profundidade do metrô, passa a se perguntar sobre o índice de desemprego no país.

Isso é normal. Por exemplo, na França, 67% dos entrevistados pelo Ifop (Instituto Francês de Opinião Pública) afirmam ter discutido esse tema no mês passado. E isso que na França o desemprego afeta apenas 10,8% da população ativa. Na Espanha, a situação é ainda pior: 26,3% da população está desempregada, o equivalente a 58,4% dos cidadãos com menos de 25 anos.

A Rússia, por sua vez, passa pelo processo contrário. De acordo com uma publicação do Ministério do Trabalho divulgada no último dia 5, o número de inscritos nos serviços e programas de assistência ao desempregado diminuiu 1,75% em março, uma queda de aproximadamente 19.400 pessoas.

No total, 1,1 milhões de russos estão registados como desempregados, ou seja, cinco vezes menos do que na Espanha. O número total de desempregados na Rússia é de 4,3 milhões, ou 4,8% da população ativa, segundo a Serviço Federal de Estatística do país (Rosstat). 

Indicadores positivos 

“A Rússia emergiu da crise, tanto em termos de crescimento econômico como de mercado de trabalho”, diz Olga Kulaeva, analista da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Moscou.

“A taxa de desemprego alcançou o pico em fevereiro de 2009, afetando 9,4% da população ativa, ou seja, 7,1 milhões de pessoas. Em março de 2012, esse índice caiu para 6,5%, voltando aos níveis pré-crise”, lembra Kulaeva.

Além disso, o portal Superjob.ru aponta que as ofertas aumentaram 2,2% em março passado. Entre os profissionais mais procurados, estão vendedores (23,2% das vagas disponíveis), operários da indústria de energia (8,6%) ou do setor de construção (6,6%). No entanto, os serviços de cuidados pessoais, como atendimento domiciliar, sofreram uma forte queda de 24% em março deste ano.

Emprego fácil

Iúlia, 29, acredita que o desemprego não é problema em Moscou. “Larguei meu emprego como assistente de produção para uma rede de televisão e não tive nenhuma dificuldade para conseguir outro”, conta. Um mês depois de apresentar sua demissão, havia sido contratada como gerente de projetos em uma galeria de arte.

Roma, 42, já trabalhou em três bancos diferentes nos últimos dois anos, ambos no departamento de serviços financeiros. “Na minha área, não há ninguém que fique desempregado por mais de três meses”, diz.

Esses comentários refletem os resultados das pesquisas recentes conduzidas pelo Centro de Pesquisa de Opinião Pública de Moscou (VTsIOM). Em dezembro de 2012, 58% dos entrevistados disseram que, durante os dois ou três meses anteriores, nenhuma pessoa próxima havia perdido o emprego. Em março de 2013, esse índice chegou a 67%.

Além do mais, em abril de 2011, 51% dos entrevistados disseram que haviam conversado sobre desemprego, contra apenas 36% no mês passado.

Desigualdade e mercado negro

No entanto, nem tudo é perfeito, garantem os analistas. Por trás dessa taxa de desemprego baixa se escondem as desigualdades geográficas e um mercado negro que atingiu proporções alarmantes. Algumas regiões estão completamente à margem da locomotiva moscovita.

“No Cáucaso do Norte, principalmente na Tchetchênia, o desemprego está entre 14,9% e 32,3%”, diz Olga Kulaeva.

Apesar de a taxa de emprego ser aparentemente satisfatória, a realidade pode ser muito diferente. "Na Rússia, metade da população ativa trabalha no mercado negro", lamentou a vice-primeira-ministra, Olga Golodets, em uma palestra na Escola Superior de Economia, no último dia 3.Segundo dados apontados por Golodets, apenas 48 milhões das 86 milhões de pessoas trabalham legalmente.

“Em muitas regiões do país é difícil encontrar um trabalho que esteja dentro dos rigores da lei”, arremata Olga Kulaeva. 

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