Rota do Mar do Norte entra na concorrência com trajetos tradicionais

Além de otimizar custos, rota pode abreviar viagens Foto: RIA Nóvosti

Além de otimizar custos, rota pode abreviar viagens Foto: RIA Nóvosti

Devido ao aquecimento global e conveniências econômicas, essa rota desperta cada vez mais interesse das empresas de transporte de cargas internacionais.

Trajeto mais curto entre o Pacífico e o Atlântico, com uma extensão de 5.600 km, passando pelas águas árticas entre o Estreito de Kara e a Baía de Providência, a Rota do Mar do Norte tem ganhado cada vez mais importância nos últimos anos.

As estatísticas confirmam o crescimento da popularidade do trajeto.

O tráfego comercial internacional por ali começou em 2009, quando dois navios usaram o trajeto para transportar 643 mil toneladas de carga. Em 2010, quatros navios, com um total de 111 mil toneladas de carregamento, passaram pela essa rota. No ano seguinte, foram realizadas 34 viagens, com o transporte de 820 mil toneladas de carga.

Em 2012, foram 38 viagens, com um total de 1,03 milhão de toneladas transportadas. Segundo previsões do Ministério dos Transportes da Rússia, em 2013, o tráfego de navios em trânsito aumentará entre 5% e 6%.

O principal obstáculo à navegação pela rota é o gelo. Por essa razão, a Rússia está aumentando sua frota de quebra-gelos que opera no trajeto. Atualmente, ela conta com quatro quebra-gelos de dois reatores (o Rossia, o Sovietski Soiuz, o Iamal e o 50 Let Pobedi), dois quebra-gelos de um só reator (o Taimir e o Vaigach), o porta-contêineres atômico Sevmorput e cinco oficinas de manutenção flutuantes.

Essa frota de quebra-gelos nucleares irá operar até 2022-2025, quando será substituída por três novos quebra-gelos atômicos do tipo mar-rio. O primeiro deverá ficar pronto até ao final de 2107, o segundo, em 2019, e o terceiro, em 2020.

Futuro

"Na Rússia, a Rota do  Mar do Norte é vista como importante via de transporte internacional, capaz de competir com as rotas marítimas tradicionais", disse Vladímir Pútin durante seu discurso no Fórum Internacional sobre o futuro do Ártico, em Arkhangulesk, na Rússia, em setembro de 2011, quando ainda era primeiro-ministro.

Pútin também afirmou que o transporte pela rota ártica permite otimizar os custos de transporte.

"Os países e empresas privadas que optarem por usar a rota ártica ganharão financeiramente."

De fato, o transporte de cargas pelo trajeto ártico permite reduzir substancialmente os custos e o tempo de viagem.

O analista da empresa Atominfo Aleksdandr Uvarov afirma que o trajeto ártico possui uma rede de postos de controle e correção que permitem acompanhar a carga ao longo de todo o seu percurso.

"Com a criação de centros de resgate com vista à segurança da navegação pela Rota do Mar do Norte, o trajeto ártico se tornará ainda mais atrativo para as empresas de transporte de cargas", afirma o especialista.

Rota e trajetos alternativos

O trajeto passa pelas águas árticas dos mares de Barents, de Kara, de Laptev, pelo Mar da Sibéria Oriental, pelo Mar de Chukchi e, em parte, pelo Mar de Bering.

A rota atende aos portos marítimos do Ártico e dos grandes rios siberianos e é usada para o transporte de equipamentos, combustível, alimentos, madeira e minérios.

Trajetos alternativos passam pelos Canais de Suez e do Panamá. No entanto, a distância percorrida por navios entre o porto de Murmansk, na Rússia, e o porto de Yokohama, no Japão, através do canal de Suez, é de 12,8 milhas náuticas (cerca de 23,7 mil quilômetros),  enquanto, pela Rota do Mar do Norte, o percurso cai para 5,8 milhas náuticas (cerca de 10,7 mil quilômetros).

Outra comparação: a distância entre São Petersburgo e Vladivostok pela rota é de cerca de 14 mil quilômetros, enquanto a rota através do Canal de Suez tem uma extensão de mais de 23 mil quilômetros. 

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